segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Minhas percepções sobre o #FestivalPromessas da Globo

Por Oziel Alves

Era pra ter sido o maior evento de música gospel já realizado no país. Era pra ser considerado um marco na história da música gospel brasileira. Era pra ter ajuntado cerca de 200 mil pessoas, mas, ao que tudo indica, o costumeiro toque de midas da Rede Globo falhou.  E, falhou onde menos se podia imaginar. 

9 artistas de diferentes gravadoras participaram do evento
Quem chegava ao Rio de Janeiro pelo aeroporto Santos Dumont, lá de cima, já podia ter uma ideia da grandiosidade do espetáculo que iria acontecer. A mega estrutura de palco e iluminação, montada em apenas 5 dias, no aterro do flamengo, ostentava um nível técnico tão elevado, que em nada deixava a desejar para as maiores estruturas de festivais de Rock realizadas no mundo. “O que temos aqui, em termos de equipamento é o que existe de melhor no mercado internacional. Com esta configuração, fazemos qualquer festival de rock, do porte do Rock in Rio ou até maior”, disse Breno Ferreira, Diretor de Produção da Geo Eventos, em entrevista exclusiva a Revista Música Cristã & Sonorização. “São mais de 500 mil watts de potência de luz, 250 mil watts de potência de áudio, PA dobrado, 4 torres de delay (para 40 mil pessoas, cada) com gerador exclusivo em cada uma delas, 150 moving lights, mais de 500 metros quadrados de leds de alta resolução, 28 câmeras contando com as gruas - 2 que estão em cima de prédios próximos da região e a câmera do helicóptero - e claro, uma equipe de produção e técnica composta por cerca de 600 pessoas” concluiu ele, que fez questão de salientar o tempo que a equipe de palco levava para trocar o set de uma banda para outra: apenas 8 minutos.

Desde a recepção no hotel, onde estavam hospedados os artistas e componentes das bandas, até a chegada no local do evento, todo o serviço executado pela equipe de plantão era prestado com um profissionalismo incomum ao cenário gospel. Do QG, instalado nas dependências do Novotel, as vans faziam o transporte de artistas, pastores, instrumentistas, produção e imprensa, sem que qualquer problema de organização pudesse ser notado.  Ao chegar nos bastidores, difícil era conter a empolgação. Dos camarins, passando pela sala de imprensa - com comida e bebida farta - até o palco, tudo era perfeito. Apesar da fraca garoa, tecnicamente, tudo contribuía para que o evento fosse um sucesso e extrapolasse a previsível marca das 200 mil pessoas esperadas para a festa, conforme noticiou o Jornal Nacional, um dia antes do Festival.  Afinal, quem ousaria duvidar disso, se todo ano, só o casting do grupo MK, ajunta cerca de 300 mil pessoas para o famoso Louvorzão promovido pela rádio 93 Fm? Ninguém.

Mas, como diz o ditado gauchesco, “o tiro saiu pela culatra”.  Segundo os dados da polícia militar, o público que prestigiou o evento, não passou dos 10% do montante previsto. Apenas 20 mil pessoas compareceram a festa. Se o evento tivesse sido bancado por uma produtora particular, na expectativa de que somente o público pudesse suprir os seus custos, certamente teria sido a falência.  Mas, como a conta foi paga, parte, pela prefeitura do Rio de Janeiro, parte pelos R$ 8,4 milhões arrecadados pelas quatro cotas disponibilizadas para anúncios que serão exibidos durante os intervalos do programa (Duração: 70 minutos), “então, não nos assustemos”.

Agora, uma infinidade de perguntas, vem à tona. O que aconteceu? Onde foi que a Globo errou, visto que qualquer um daqueles 9 cantores que estavam ali, sozinhos levariam públicos bem superiores a esta marca?  Teria sido a garoa que caíra durante o evento? Ou, quem sabe, a escolha do local, distante do metrô? Teria sido um boicote do povo evangélico às intenções puramente comerciais da emissora, que agora, percebendo a grandiosidade desta fatia da população, oferece “manjares” como forma de desbancar a concorrente e, quem sabe, receber o perdão e a admiração, daqueles que, por muitos anos, a intitularam diabólica? Há quem diga que o povo não compareceu em massa, porque terá a chance de ver o programa em casa no próximo domingo. Outros dizem que a questão é espiritual e culpam a falta de divulgação e mobilização das igrejas. 

Alguns veículos seculares, como a Folha.com arriscaram palpites que, infelizmente, só demonstram a total falta de conhecimento de seus repórteres quando o assunto é música gospel.  Nesta pseudo matéria, em que o repórter chama o evento de fiasco, [http://bit.ly/tk9kij ] o individuo se arrisca a dizer que, “a Globo pode ter superestimado o potencial dos artistas gospel de sua gravadora” ( desconhecendo a presença de artistas de outras gravadoras ) e sugere, nas entrelinhas do texto, que se ela tivesse chamado “estrelas” como Aline Barros e/ou Soraya Moraes esta história poderia ter sido diferente. Não cabe aqui elencar os motivos de tal afirmação, mas quem entende um pingo de música gospel, sabe que estes nomes não teriam maior relevância do que Ana Paula Valadão, Fernandinho, Fernanda Brum, Damares ou Régis Danese, apesar de alguns destes, também, não estarem mais na crista da onda. 

Na mesma matéria da Folha.com o repórter diz que “com o fiasco [...], pode ser que a Globo não se arrisque a dar mais espaço ao gospel em sua programação”. De certa forma, ele pode até ter razão, mas, por outro lado, não há como ignorar uma fatia crescente que já compõe quase 30% da população. Certamente, o resultado final do evento será medido através do IBOPE no dia 18/12 (domingo, após o programa do Didi) e ainda tem tudo pra ser considerado “o maior evento de música gospel já realizado no país”. Fato é que se a Globo quer se comunicar com o povo evangélico, até por uma necessidade de mercado, ao que tudo indica, terá que investir pesado nesta comunicação. E para que isso aconteça, não basta ouvir a liderança, é imprescindível caminhar com eles e claro, consultar quem "realmente" entende do segmento fonográfico gospel. Afinal de contas, de toda esta situação, duas premissas parecem resumir a lição: os crentes são menos previsíveis do que se imagina; e cultura não se muda da noite pro dia.

Apesar dos pesares, certamente o desejo de todo o cristão é que dia 18, todo mundo esteja ligadinho na Globo, que a transmissão deste programa tenha um resultado impactante no mundo espiritual e que a colheita seja farta, para honra e glória do nome de Deus. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Música gospel e as Leis de Incentivo à Cultura

Parlamentares cristãos continuam o pleito pela inclusão do gênero gospel nas principais leis de incentivo à cultura do Brasil

Por Oziel Alves

O caráter religioso da música gospel ainda é um problema, quando o assunto é lei de incentivo à cultura no Brasil. Dos 24 estados brasileiros que possuem estas leis, hoje, apenas o estado do Rio de Janeiro, reconhece a música evangélica como manifestação cultural. (LIC/RJ 1.954/92) A alteração partiu de um projeto de autoria dos Deputados Jorge Picciani e Edson Albertassi, ambos do PMDB/RJ, que para a alegria dos produtores culturais cristãos, conseguiu incluir, em tempo recorde e de forma inédita no Brasil, a música gospel como manifestação cultural e artística na Lei. Em entrevista por telefone, Albertassi falou que sua maior motivação em incluir o gênero gospel na Lei, se deu, primeiramente, em razão do número elevado de prefeitos que estavam sendo processados pelo Tribunal de Contas, por terem patrocinado com dinheiro público, eventos de música gospel até então considerados religiosos. “Hoje, a gente mostra que a música gospel não tem fronteiras. Com a inclusão do gênero, demos legalidade para que estas produções, também possam ser patrocinadas por empresas do Estado do Rio de Janeiro através da renúncia fiscal do ICMS” afirma.

PROJETO DE LEI FEDERAL

Em 2009, o ex-deputado federal e bispo da Igreja Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho (DEM-DF), também levou à Câmara dos Deputados, um projeto de lei, sugerindo a inclusão da música gospel no rol das manifestações culturais a serem reconhecidas pela Lei Rouanet. O projeto foi aprovado na Câmara, nas Comissões de Assuntos Econômicos; e de Educação, Cultura e Esporte, e agora está no Senado Federal, onde se encontra pronto para votação no plenário, antes de ser encaminhado a sanção presidencial. Ao que tudo indica, a alteração proposta por Rodovalho será bem sucedida, e por se tratar de uma Lei Federal, se tornará referência aos demais estados brasileiros que ainda desconsideram o fim artístico e cultural presentes neste gênero.

L.I.C / ESTADUAIS

“É uma pena, mas aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, assim como na maioria dos estados brasileiros, projetos no segmento gospel jamais foram incentivados, representando a ignorância ou inobservância dos princípios de igualdade que norteiam a Lei” afirma Fernando Keiber, que é diretor da Gaia Cultura e Arte, Produtor Cultural há mais de 20 anos e ex- Coordenador do Setor de tomadas de Contas da Lei de Incentivo a Cultura do RS. Para Keiber, ações que tenham a arte como objeto, independente do segmento cultural a que se proponham, devem ter a mesma oportunidade, como garante o princípio da igualdade que as leis de incentivo à cultura proporcionam. “Antes de se criarem amarras e óbices a um projeto cultural, deveria ser observado o seu escopo, seu interesse social e os objetivos e metas que ele apresenta ao invés de indeferí-lo por estar, de alguma forma, ligado a uma religião” salienta o produtor. Se as considerações de Keiber, realmente fossem levadas em conta, nenhum destes projetos de lei, citados anteriormente, se faria necessário, já que pelo princípio da isonomia, e por ser considerada arte, a música gospel já deveria fazer parte das manifestações culturais expressas pela Lei, sem necessariamente ser especificada pela palavra “gospel”.

Talvez, seja por este motivo, que há 5 anos consecutivos, o Governo do Mato Grosso, através de sua Lei de Incentivo à Cultura, patrocina integralmente um Festival de Arte e Cultura Gospel organizado pela Igreja Batista da Paz de Cuiabá (MT). Nestes 5 anos de realização, o projeto já apresentou grandes nomes da música cristã como Kades Singers, Alda Célia, Fat Family, David Fantazzini, Carlinhos Felix, Álvaro Tito, Marquinhos Gomes entre outros, além de envolver a comunidade em oficinas de dança, pantomima, teatro, artes plásticas e em um grande festival gastronômico com culinária típica da região.

Segundo relata o Produtor Cultural, Ênio Castilho, membro da Igreja Batista da Paz e um dos responsáveis pela elaboração do “Gospel Art” “no início houve muita resistência dentro do Conselho Estadual de Cultura do Mato Grosso para que este projeto fosse aprovado. No entanto, o Estado que já havia aprovado projetos da Igreja Católica, por exemplo, se viu obrigado a não agir com discriminação aos projetos protestantes, uma vez que seu cunho cultural era muito evidente.”

Castilho diz que apesar de não haver citação específica à música gospel na Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Estado do Mato Grosso, também não há nenhum empecilho que impossibilite estes eventos de serem aprovados. “O que é preciso de fato, édemonstrar no descritivo do projeto o mérito cultural do mesmo, e isso a gente faz”. Se esta é realmente a lógica que deveria permear todas as Leis, na prática não é o que acontece.

Para Albertassi, ao aprovar tais projetos sem a especificação da música gospel na Lei, “o Governador do Estado do Mato Grosso corre sérios riscos de ser processado pelo Tribunal de Contas por uso indevido do dinheiro público, assim como aconteceu com alguns prefeitos no Estado do Rio de Janeiro” afirma. Por este motivo é que considera importante a mobilização dos parlamentares cristãos nos estados e municípios para que a música gospel seja incluída nas leis de incentivo à cultura de suas regiões. “É justo que o povo e a própria religião, sem ater-se em seus sectarismos,lute contra os preconceitos e a favor da igualdade.” Salienta Keiber. Afinal de contas, manifestações religiosas oriundas das práticas afro descendentes, parecem já ter conquistado o seu espaço. Diante disso, por que o povo cristão vai ficar de braços cruzados, se pode pleitear a aprovação do caráter cultural de suas músicas? “Cabe, sim, à bancada parlamentar cristã, provocar uma reflexão mais profunda e uma  exposição de ideias mais justas para convencer todas as entidades públicas envolvidas no processo, da verdadeira importância e meritoriedade de projetos de tal alçada” finaliza. No Rio de Janeiro já é realidade, mas nos demais estados do Brasil, ainda não. Portanto, a inclusão da música gospel entre as manifestações culturais do país, deve acontecer mais cedo ou mais tarde, mas inequivocadamente, depende de mobilização e debate. É uma questão de tempo e de bom senso.

LEI ROUANET

A primeira Lei de Incentivo a Cultura criada no Brasil, surge logo após a ditadura militar, quase que como uma tentativa deredimir o obscurantismo cultural imposto pela censura da época. É neste contexto que em 1972, José Sarney criou um projeto de lei - aprovado apenas em 1986 – que concedia benefícios fiscais, na área do Imposto de Renda, a toda pessoafísica e jurídica que visasse financiar manifestações de caráter cultural ou artístico. Em 1991, durante a gestão Collor, a Lei Sarney foi alterada e passou a se chamar Lei Rouanet, ou Lei Federal de Incentivo à Cultura. De lá pra cá, cerca de 12 mil novos projetos culturais, ao ano, são apresentados ao Ministério da Cultura (MinC) para serem bancados com o dinheiro da União. Exposições, Gravações, Festivais de Arte, Espetáculos de Música, Dança, Teatro, Folclore, Artesanato, entre tantas outras manifestações, exceto aquelas consideradas religiosas, passaram a receber financiamento integral do Ministério da Cultura, num montante que ultrapassa a quantia de 1 bilhão de reais, por ano. Os anos se passaram e Seguindo o modelo do Governo Federal, 24 dos 27 estados brasileiros acabaram criando, também, suas próprias Leis de Incentivo à Cultura, destinando parte da verba arrecadada em ICMS, para tal fim.

LEIS DE INCENTIVO À CULTURA : SAIBA O QUE É
O que é uma lei de incentivo à cultura?

É uma lei que oferece benefício fiscal (à pessoa física ou jurídica) como atrativo para investimentos em cultura. Existem hoje leis de incentivo federais, estaduais e municipais. Dependendo da lei utilizada, o abatimento em impostos pode chegar até a 100% do investimento.

Como funcionam as leis de incentivo?

Cada lei tem um funcionamento específico. As leis federais oferecem isenção no Imposto de Renda das pessoas físicas ou jurídicas. Já as estaduais proporcionam isenção de ICMS e as municipais, de IPTU e ISS . Algumas optam por financiar a fundo perdido ou fazer empréstimos a projetos culturais regionais. Ao optar por uma ou outra lei, o produtor cultural deve levar em consideração a região onde o projeto cultural será realizado e as necessidades dos possíveis patrocinadores.

Como uma empresa pode patrocinar um projeto cultural?

Primeiro, o órgão do governo responsável precisa aprovar o projeto. Depois da aprovação, o produtor cultural (que pode ser o próprio artista) procura uma empresa que queira patrocinar o seu projeto. Fechado o patrocínio, a empresa fornece o dinheiro para a realização do projeto cultural. Esse dinheiro (ou parte dele) voltará para a empresa em forma de abatimento de imposto na hora do pagamento do tributo (Imposto de Renda, ICMS ou IPTU/ ISS , dependendo da lei utilizada). Em alguns casos, o próprio MinC ou Secretaria da Cultura, já libera o valor.

F o n t e : R e v i s ta M a r k e t i n g


EVENTOS E MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS RECONHECIDAS PELAS L.I.C

• Produção de discos, vídeos, obras cinematográficas de curta e média metragem e filmes documentais;
• Realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore;
• Edição de obras relativas às ciências humanas, às letras e às artes;
• Conservação e restauração de prédios, monumentos, logradouros, sítios e demais espaços;
• Restauração de obras de artes e bens móveis e imóveis de reconhecido valor cultural;

F o n t e : M i n C

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Asaph Borba entre a fé, a emoção e a razão

Com 35 anos de ministério, 70 discos gravados e mais de 2 milhões de cópias vendidas, Asaph Borba – o pai do canto congregacional brasileiro – revela fatos inéditos, acerca de sua vida e ministério


Por Oziel Alves
*Entrevista publicada na Revista Música Cristã e Sonorização / Fevereiro 2011


Talvez você não saiba, mas provavelmente a grande maioria das músicas (também chamadas de corinhos) que você aprendeu a cantar numa igreja evangélica a partir da década de 80, é da autoria desse cidadão baixinho, agora mais magro, de barba eterna, olhos azuis e olhar intenso, que apesar da simplicidade, humildade e simpatia contagiante, tem uma história de vida exemplar que impõe respeito e provoca admiração.

Para Asaph Borba, lá se vão 35 anos de ministério como compositor, arranjador, produtor, maestro, músico, mas acima de tudo, como um grande adorador e discípulo de Jesus Cristo, já que é assim que prefere ser chamado, quando diz que - apesar de compreender a necessidade dos rótulos - não se sente muito à vontade com a pomposidade de títulos como artista, cantor ou ministro de louvor.
Oziel Alves, editor da Revista Música Cristã e Sonorização entrevistando Asaph Borba no Estúdio Life em Porto Alegre, RS.

Quem conversa com este homem - calmo, de sábias palavras e discipulador de boa parte dos artistas cristãos que hoje fazem a diferença no cenário da música gospel brasileira - jamais poderia imaginar que, não fossem as orações da mãe e a atitude ousada de um líder, tudo poderia ter sido diferente.

No começo da década de 70, Asaph era hippie. Viciado em drogas dos 13 aos 15 de idade, fazia seu pé de meia, vendendo artesanatos à beira do mar. Sua mãe, preocupada com a situação que se agravava, resolveu pedir ajuda ao pastor da comunidade onde freqüentava os cultos. “Ele me procurou uma vez e eu não abri a porta. Outra vez, mas novamente eu não o atendi. Num determinado dia, eu disse a minha mãe que queria falar com ele e foi assim que tudo começou” diz Asaph. Erasmo Ungaretti, na época, pastor da Igreja Metodista em Porto Alegre, numa atitude ousada e muito comum ao conservadorismo de seu tempo, sabendo do gosto de Asaph pela música, decidiu convidá-lo para tocar violão no culto, daquele mesmo dia. “No dia seguinte eu estava lá, e em agosto de 1974, me converti”. Envolvido na área da musical da igreja, em 1976, Asaph passou a viajar com Erasmo, ministrando o louvor em Igrejas de todo o Brasil e é a contar deste ano que, em 2011, ele comemora quase quatro décadas de ministério, agora sob o discipulado do pastor Moyses Moraes, que, assim como Erasmo, mora no mesmo prédio e é seu vizinho de apartamento.

Do começo em 1978, com o lançamento do seu primeiro álbum “Celebraremos com júbilo” com o americano Donald Stoll, a dupla Don & Asaph - quando álbum era álbum mesmo, de vinil - até seu mais recente “Rastros de Amor”, uma super produção recém gravada pela Som Livre na PIB de Curitiba - Asaph nunca perdeu a perspectiva do seu chamado: levar a igreja a uma adoração genuína.

Numa época em que a comunidade cristã só cantava hinos da harpa ou do cantor cristão, suas pequenas canções, a maioria salmos musicados, literalmente transformaram o ritual do louvor congregacional em boa parte das igrejas evangélicas brasileiras, introduzindo uma nova cultura de adoração. Por isso, hoje, podemos dizer sem medo de errar, que Asaph é o “pai” do canto congregacional da igreja pós-moderna brasileira. Com hinos como “Ao nosso Deus”, “Celebrai”, “Digno de Glória”, “Estamos reunidos”, “Jesus em tua presença”, “O meu louvor é fruto”, “Superabundante graça”, “Tu és soberano” e centenas de outros cuja lista sequer caberia aqui, o menino que outrora vendia artesanato para bancar seu vício, fez fama e acabou ganhando notoriedade no mundo inteiro. Com a Life Produções, lá se vão 70 discos gravados em 9 idiomas – entre eles, árabe, hebraico, inglês, alemão, assírio, etc -, mais de 2 milhões de cópias vendidas e cerca de 350 gravações de e para outros artistas, além de parcerias com Adhemar de Campos, Gerson Ortega, Daniel Souza, Fernandinho, Nívea Soares, entre tantos outros. Isso sem falar nos projetos junto à Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno) e o seu ministério internacional intitulado Bridges of Love (Pontes de Amor) que tem atendido a dezenas de nações em todo o continente americano, Europa e sobretudo no Oriente Médio, em países como Jordânia, Egito, Líbano, Turquia, Israel e Irã.

Asaph, que é mineiro de nascença, para realizar o sonho de seu pai, mas gaúcho de coração, já que sempre morou no RS, é membro da Igreja Comunidade em Porto Alegre (RS), tem 53 anos e é casado com Lígia Rosana, com quem tem dois filhos, Aurora e André. No mês de janeiro, apesar de estar com sua agenda lotada até o final de 2011, Asaph prontamente recebeu nossa equipe nas dependências do estúdio Life, para um bate-papo descontraído (com direito a barras de chocolate e café) mas cheio de inspiração, para falar sobre sua vida, os 35 anos de ministério, sua visão de música, igreja e claro: dos projetos que pretende realizar nos próximos 35 anos de ministério.


OZIEL ALVES: Era 1974, você tinha 15 anos, era hippie, usuário de drogas e, um pastor que verdadeiramente se preocupava com você, com atitudes a frente do seu tempo, lhe convida para tocar no culto, do jeito que você está, sem lhe impor nenhuma condição de santificação. Lindo, nobre, divino. Mas você indicaria este tipo de atitude para os pastores de hoje?

ASAPH BORBA: Eu acho que a gente deveria ter mecanismos pra assimilar pessoas. E, obviamente isso significa assimilar as pessoas como elas são. Claro, com os devidos cuidados, né? Tem que ser guiado por Deus para ter uma atitude destas. É preciso ter certeza da direção divina para pegar um drogado e entregar um violão pra ele tocar naquele mesmo dia no culto. Lembro de um livro do David Wilkerson onde ele conta o que fez com Nick Cruz – de uma outra forma, é claro - no dia em que ele foi fazer um grande evento lá no Brooklyn. E ele disse: “Hei, você, vem cá me ajudar com as ofertas”. Ele deu o gazofilácio pro Nick, um baita drogado, baita marginal... Imagina, recolhendo a oferta? Anos depois, o Nick Cruz conta que sua conversão começou quando ele passou por um lugar onde poderia
ter fugido com todo aquele dinheiro. A minha começou quando ele me convidou para trabalhar.

OZIEL ALVES: Como era o universo da música gospel na época que você começou?

ASAPH BORBA: Havia poucos nomes que se sobressaíam ou que tinham certa expressão no segmento. Tinham os nomes tradicionais como Vitorino Silva, Ozeias de Paula, Luiz de Carvalho... Enfim, estes nomes já aconteciam no Brasil. Mas a cena era muito pequena, muito limitada às igrejas. A música era basicamente tradicional.

OZIEL ALVES: Você ainda é anterior ao Adhemar de Campos?

ASAPH BORBA: Sim, eu comecei a produzir discos, uns três anos antes dele. O Adhemar se converteu no mesmo ano que eu, e começamos o ministério no mesmo ano também, em 1976. Só que eu gravei antes. Eu comecei a produzir e a gravar em 77, 78. Ele só em 81, 82.

OZIEL ALVES: Quem era a sua principal influência na época?

ASAPH BORBA: O principal nome que marcou a minha vida foi um cara chamado Volo, que era da ABU (Associação Bíblia Universitária) e ele tinha um disco que se chamava “A lua não pode e não poderá fazer” que era, absolutamente, inovador para a época. Eram músicas super jovens, mas cristãs. Foi a primeira música cristã que falou comigo, de fato. Depois, no final de 76, início de 77, eu conheci Vencedores por Cristo, com uma batida jovem, também, absolutamente inovador, que certamente, foi uma grande influência na minha vida.

OZIEL ALVES: Quando é que surge a ideia de compor cantos congregacionais? Houve influência norte-americana? Houve alguma pretensão de sua parte no sentido de criar algo que pudesse inovar o ritual de culto?

ASAPH BORBA: Não. Nasceu sem pretensão e sem qualquer influência americana, apesar do Don Stoll compor juntamente comigo. Nasceu como uma prática. Eu e o Don começamos juntos porque nós ministrávamos juntos, aqui na Igreja Metodista em Porto Alegre. Então, ele foi uma influência, somente neste sentindo.

OZIEL ALVES: Mas havia uma insatisfação tua, com a liturgia congregacional, isto é com os cânticos da harpa e do cantor cristão? Você estava à procura de inovação?

ASAPH BORBA: Não, nunca pensei nisso. Simplesmente fizemos. Foi algo que surgiu, espontaneamente. Um formato curto e fácil de tocar. Não sei explicar o porquê. Não foi uma coisa consciente... Foi algo que simplesmente, fizemos. Harmonia simples, tocando simples e com palavras simples. O que pouca gente sabe é que nossas composições, eram textos bíblicos inicialmente e acabou se tornando uma ênfase do nosso trabalho, porque o Donald não falava português e eu não falava inglês. Nós éramos amigos, queríamos servir e tínhamos a Bíblia em comum. Foi assim que surgiu. Decidimos cantar a Bíblia. Daí o ministério cresceu e os pastores nos levaram daqui Brasil à fora. Depois conhecendo o mundo e as igrejas, descobri que na década de 70, com o avivamento que ocorria no mundo, também surgiram cantos congregacionais em outras nações, como Rússia, por exemplo etc.

OZIEL ALVES: Como você se sente com este título que é atribuído a você: PAI DO CANTO CONGREGACIONAL NO BRASIL?

ASAPH BORBA: Nenhum título entra no meu coração. Mas, se sou reconhecido como pai, é porque tenho algum tipo de paternidade. A única coisa que eu faço é honrar esta paternidade. Honro através do meu testemunho, da continuidade, do apoio a muitos irmãos e dos muitos filhos que tenho nesta área do louvor e adoração.

OZIEL ALVES: Qual a sua opinião sobre a cobrança de cachê?

ASAPH BORBA: Eu não sou a favor do cachê pré-determinado, porque não é um padrão bíblico. Mas eu creio que todo mundo que vive do ministério, tem que ser honrado.

OZIEL ALVES: Quando você recebe convites para ministrar, você negocia valores?

ASAPH BORBA: Eu não cobro cachê. Não negocio. Eu mando uma folha onde a pessoa tem que dizer a data do evento, o tipo de evento e em quanto esta disposta a abençoar o nosso ministério.

OZIEL ALVES: Há quase 14 anos, você decidiu investir em missões no Oriente Médio. Como surgiu o projeto Bridges of Love e por que a Jordânia foi o teu primeiro destino?

ASAPH BORBA: Tenho um bom inglês. Foi em função disso, que acabei participando de muitos projetos pelo mundo inteiro com a missão Portas Abertas em Cuba, Peru, Colômbia, Europa. Foi através destes irmãos que recebi oconvite para desenvolver um projeto de gravação e produção com os irmãos árabes. Eles queriam servir ao Senhor com um grupo de música, mas não sabiam como fazer aquilo. Eu disse: Vamos fazer uma produção. Cheguei lá, montei um estúdio, como eu faço sempre, em seguida começou a nascer uma bela equipe de louvor. Começamos a produzir, treinar, capacitar pessoas e acabamos fazendo grandes projetos. Daí surgiu a ideia de montarmos um estúdio. Arrumamos dinheiro e montamos o estúdio na própria igreja, lá na Jordânia. Eu não fico com nada, dôo tudo. Fiz isto em Cuba, fiz isto no Peru. No Peru eu só entrei com o treinamento técnico, uma entidade americana deu o estúdio. Mas em Cuba nós financiamos uma grande parte do estúdio.

OZIEL ALVES - E as tuas músicas já estão entrando lá, de alguma forma?

ASAPH BORBA: Sim, vagarosamente. Eu sempre valorizei o que as pessoas têm. Esta é uma outra tônica do nosso ministério. Nunca impus a minha música como um padrão que deve ser cantado ou tocado. Eu sou um simples exemplo do que as pessoas podem gerar e produzir. Eu valorizo o que as pessoas têm. Fiz isto com o Benê, com a Alda, com o Silvério, com o Márcio, com o Adhemar, o Cláudio Claro, David Quinlan... Todos estes irmãos foram irmãos que eu conheci nos primeiros passos, como Daniel de Souza, Davi Silva, Mike Shea. Todos estes irmãos são pessoas que me respeitam por este começo. Eu os vi em uma igreja, e valorizei o que eles tinham. E com uma grande parte destes irmãos, eu participei de alguma forma dos primeiros discos deles. Ludmila Ferber, Cirilo... Um grande grupo de pessoas. Estes são os irmãos que hoje me chamam de pai. É por causa disto. Porque eu os ajudei a dar um primeiro passo. Eu falei de uns dez, doze, mas tem quatrocentos; inclusive o disco de um deles está saindo daqui este mês. O Daniel de Souza era o meu baixista, por exemplo...

MCS: Como “pai” que conselho você dá a estes artistas, sobretudo com relação aos manjares que a fama pode oferecer?

ASAPH BORBA: Caráter! Mantenha o teu caráter submisso. Não perca a simplicidade. Você pode ter frutos... hoje eu tenho bons carros, uma estrutura que Deus tem nos dado, tenho sítio, tenho casa na praia, mas nada disso é a prioridade do meu ministério. Eu deixo tudo isto, por amor a Deus.

OZIEL ALVES: Ainda falando do seu trabalho no mundo Árabe (Istambul, Turquia) por exemplo, onde apenas 3% da população se intitula cristã. Trabalhar lá, lhe dá a sensação de recomeçar, já que no começo do seu ministério aqui no Brasil menos de 5% da população era evangélica?

ASAPH BORBA: Sempre! Um eterno recomeço! Não é um recomeço com gosto de derrota é uma continuidade. Uma conquista. Na Jordânia, não tinha adoração. Os irmãos se reuniam pra cantar dois, três hinos no culto, e a gente começou a ensiná-los a adorar...Eu tenho agenda pra todos os dias da minha vida se eu quiser e ainda sobram algumas centenas, mas dedico parte do meu tempo para, por exemplo, sentar com cinco irmãos no Oriente Médio e gerar a vida de Deus, gerar neles o compromisso, ensiná-los a adorar. Todas estas músicas eu ministro lá, em Árabe.

OZIEL ALVES: Em quais os países o seu projeto “Bridges of Love” está presente?

ASAPH BORBA: Síria, Jordânia, Líbano, Turquia, Emirados Árabes, Egito, Iraque, Palestina... já fizemos no Chipre, enfim...

OZIEL ALVES: Ser exemplo. Qual é o preço disso? Tem renúncia?

ASAPH BORBA: Preço? Fidelidade. Ser fiel em tudo. Não deixar nada com a marca da infidelidade. Não pagou a conta? Deu um cheque que voltou? A fidelidade é o preço do meu ministério. A pessoa fiel é fácil de ser seguida. O fiel é previsível. Por isto que as pessoas me acham exemplo de vida. Linearidade. Meu rastro pode ser seguido com facilidade. O que eu prego é fácil de entender. O  que eu canto é fácil de reproduzir. Eu cedo minhas músicas pra todo mundo gravar. Hoje mesmo eu mandei duas autorizações. Quase toda a semana eu dou duas ou três autorizações. Cedo livremente para os irmãos. Então, isto deixa uma boa marca vida afora. Sobre a renúncia, eu não a vejo como a principal ênfase da minha vida. Minha esposa tem um nível de renúncia muito maior que o meu. Ela fica com os filhos... nós temos uma filha excepcional que ela que cuida. E... o ficar em casa gerindo, né... talvez, seja mais difícil...

OZIEL ALVES: Há grandes tentações na fama, Asaph?

ASAPH BORBA: Daí entra a fidelidade. Neste caso, quando você esta sozinho e renuncia um assédio, por exemplo, você não esta renunciando, você esta sendo fiel. Fiel a minha esposa, aos meus princípios, a uma igreja, a um testemunho de vida. Quando um líder de qualquer tamanho cai, sempre cai alguém junto. Se não atingir ninguém, atinge a família. O mecanismo que funciona muito bem pra isso, é aquele de estar submisso a outro ministério. Por exemplo, os meus pastores até hoje são meus pastores. A filha do pastor Erasmo, trabalha comigo há vinte anos. É importante ter pessoas ao seu lado que tenham acesso a sua vida, que possam te dizer: isto é um perigo. Eu já tive irmãos conhecidos do Brasil, que tinham saído de suas casas, largado suas esposas, e eu cheguei e disse: não faça isto! Peguei um avião com a minha esposa e fui para um grande escritório no Rio de Janeiro, e disse: “Não faça isto, Deus me trouxe aqui para restaurar sua família”. Liga pra sua esposa, agora. (Ele disse, ahh mas eu já saí de casa!) – Liga agora! Deus vai fazer uma obra em sua vida. E Deus fez. Está lá. Vida restaurada, casamento restaurado, acabaram de ter mais um filhinho. Quando uma pessoa para de ouvir os outros irmãos, aí começa a sua queda.

OZIEL ALVES: E quando um ministro dá um passo em falso, é possível se levantar e seguir caminhando, novamente?

ASAPH BORBA: Sim, mas se ele não restaurar sua família, dificilmente continuará seu ministério.

OZIEL ALVES: E se ele construir uma outra família?

ASAPH BORBA: Vai ser com o limite de quem construiu uma outra família. Ele vai perder uma porcentagem do seu público. Ele vai perder uma porcentagem de sua atuação, do seu testemunho, da sua autoridade espiritual. É uma pessoa que nunca mais terá plena autoridade espiritual.

OZIEL ALVES: Mas nem por isso ele estará para sempre errado?

ASAPH BORBA: Eu não vejo nenhum acerto, por qualquer razão, em destruir a sua família, ou deixar a sua família se destruir. Não há nenhuma realidade espiritual plausível, que diga que a pessoa acertou em deixar esta mulher para casar com outra. Não há fundamento bíblico pra fazer esta afirmação, mas eu sei que acidentes acontecem na vida das pessoas, e se elas não restaurarem tudo o que ficou para trás, elas vão ter que conviver com esta limitação.

OZIEL ALVES: Asaph é verdade que a música “Aos olhos do pai” da Ana Paula Valadão foi uma composição escrita em homenagem a sua filha?

ASAPH BORBA: Para Aurora... (Risos) É... Foi, isto mesmo! A Ana quando compôs este cântico, telefonou pra Aurora e deixou registrado que tinha feito uma música pra ela. Disse que ela era uma obra prima, e quando a Aurora fez 15 anos a Ana gravou um vídeo, dizendo a mesma coisa.

OZIEL ALVES: Sobre a cura da sua filha. É verdade que você não vai sossegar enquanto Deus não curar a sua filha?

ASAPH BORBA: Eu não vou parar de pedir! Enquanto a Aurora tiver um fôlego de vida, eu e a minha esposa vamos orar pela cura integral da Aurora. Deus não curou ontem, pode ser que cure hoje, ou amanhã... Não muda nada na
minha fé, na minha expectativa, na minha esperança. Nós cremos que a  Aurora pode ser curada todos os dias, sim.

OZIEL ALVES: Qual é o problema dela, de fato?

ASAPH BORBA: Síndrome de Prader-ville. Uma síndrome bem conhecida, mas que dá muita obesidade, uma hipotonia e retardo mental muito grande.

OZIEL ALVES: Você conhece alguém no mundo que tenha sido curado desta síndrome?

ASAPH BORBA: Não.

OZIEL ALVES: E isto não abala a tua fé?

ASAPH BORBA: Não. Eu já vi gente ressuscitar. Eu já vi uma criança ressuscitar dentro do meu próprio carro. Um menino que morreu na beira da estrada, eu o coloquei no carro e levei para o hospital orando. E... ressuscitaram o menino no hospital. É o mesmo Deus... Eu não sei quantas variantes há em tudo isto, mas eu tenho aprendido Oziel, a no caso da Aurora, especificamente - pra ficar registrado - que o importante pra Deus não é a cura, é o processo. A Aurora é um processo, de muitos processos que Deus permite na vida de homens de Deus. Na vida de ministros. Na vida de pessoas. Cada pessoa tem alguma coisinha que Deus deixa.

OZIEL ALVES: E são nestes momento que você canta... “Sim eu sei Senhor que tu és soberano, tens os teus caminhos tens teus próprios planos...”

ASAPH BORBA: (Risos) Infinitamente mais...

OZIEL ALVES: O que há com sul Asaph? Você é o único nome na área da música que saiu daqui e ganhou fama e notoriedade. Por que só você?

ASAPH BORBA: Não sei. Talvez porque as igrejas não incentivam as pessoas a saírem daqui, não investem, não produzem. Poucas igrejas tem a visão de ter pessoas e liberar-las pro ministério. Todas as igrejas querem o ministro de louvor pra ficar lá. Eu não. Eu fui um homem constantemente, enviado. Se os pastores tiverem a visão de gerar pessoas para enviar, teremos mais pessoas.

OZIEL ALVES: Você já fez música para vender?

ASAPH BORBA: Não... fazer música é... É sempre um fruto. É o resultado de uma experiência de vida. Não faço música pra vender, mas eu sei que vou colocar em um disco e vai vender.

OZIEL ALVES: De todas as músicas que você compôs, qual a que mais te tocou?

ASAPH BORBA: Bah... “O Meu louvor é fruto” sem dúvida alguma... “Eu sei que foi pago um alto preço”... e de adoração... “Jesus em tua presença reunimo-nos aqui”. Esta música significa muito pro meu ministério. Ela que me jogou pra fora do Brasil, com muita força. E, claro a música “Jesus”, que é a minha música mais gravada, mais cantada em todos os países por onde o meu ministério já esteve. É a música que mais me gerou dinheiro, recursos e venda e tem apenas uma palavra: Jesus. O Benny Hinn usa ela, em suas cruzadas.

OZIEL ALVES: Asaph, a humildade só vem depois de muito elogio?

ASAPH BORBA: Não sei. Acho que o que gera a humildade não é o elogio, mas em nosso caso, é o caráter de Jesus. Talvez esta seja a chave desta entrevista. O que eu mais quero na vida de um homem é que seu caráter seja parecido com o de Jesus. É impossível uma pessoa que queira parecer com Jesus, não querer buscar a humilde. Humildade não é um resultado. É uma busca.

OZIEL ALVES: E, agora, daqui pra frente como será?

ASAPH BORBA: Quero mais 35 anos de ministério, no mínimo. Meu grande projeto esta só começando. Meu grande projeto é ganhar mais nações pro Reino de Deus.

OZIEL ALVES: Você entrou pra faculdade de comunicação social e está quase se formando. Qual o objetivo de voltar aos bancos escolares?

ASAPH BORBA: Entrei, em primeiro lugar (Risos). Bem, quero ampliar toda área de comunicação da Life... O meu credenciamento jornalístico também é importante, para este andar, porque esta cada vez mais difícil circular pelo mundo, sendo apenas um ministro do evangelho.

OZIEL ALVES: Você está com dois livros quase prontos para serem lançados. Sobre o que tratam e por qual a editora você deve lançar?

ASAPH BORBA: Um é sobre a minha história (Biografia) e outro sobre A adoração como um estilo de vida. Ainda não sei, por onde vou lançar, vamos ver.

OZIEL ALVES: Obrigado, Asaph.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Indústria da Música Gospel aposta no Brasil

Os gringos estão de olho no mercado da música gospel no Brasil

Com uma população evangélica crescente, o Brasil já é visto como a nação mais promissora, depois dos EUA, para investimentos no segmento

Por Oziel Alves

Os olhares da indústria fonográfica gospel internacional estão voltados para o Brasil. O aumento significativo do consumo e da população evangélica, surpreende a todos. Aqui, a fé não só move montanhas; como também movimenta milhões de reais com o comércio de produtos e serviços para o público cristão. R$ 1,5 bilhão por ano, para ser mais preciso. O público evangélico brasileiro saltou de 4,8 milhões em 1970 para mais de 26 milhões no ano 2000 (IBGE). Considerando uma taxa de crescimento anual de 6%, estima-se que ainda neste ano, o número de evangélicos ultrapasse os 45 milhões e assim, em 2020 - 129 milhões de pessoas – chegando a metade da população brasileira. Este panorama, que tem surpreendido a todos, por caminhar na contramão das principais nações do planeta, e que, contribuí para uma mudança gradativa da cultura no país, tem despertado também, a atenção das grandes corporações do segmento.

“Eu tenho ciúmes de vocês, brasileiros”, disse, descontraidamente o australiano Graham Williams, Diretor Internacional de Vendas do grupo Hillsong Music, que veio a ExpoCristã 2010 para o lançamento da parceria com o grupo CanZion Brasil; agora, distribuidora oficial do grupo Hillsong para toda a América Latina. Williams estava se referindo ao crescimento da população evangélica no país, em comparação ao decréscimo avassalador do Cristianismo em praticamente todos os 47 países da Europa. “Vocês são uns privilegiados” disse Ele. “Parece que só agora, o mundo começa a notar a importância deste país, que se levanta como um gigante, ocupando a segunda posição, no ranking dos países com maior população evangélica do mundo”.

De fato, Williams tem razão. Em número de evangélicos, o Brasil só perde para os Estados Unidos, onde, apesar da constante queda, 57,9% da população, ainda se diz protestante.



Kevin Hyer, diretor executivo do grupo Word Entertainment nos Estados Unidos, pela primeira vez no Brasil

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