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08 Agosto, 2009
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08 Julho, 2009
22 Maio, 2009
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16 Dezembro, 2008
Boas Novas no Parlamento
Capitol Ministries, uma organização cristã, que há 12 anos se dedica “a fazer discípulos de Cristo”, no cenário político Americano, agora, anuncia o lançamento de sua primeira base na América Latina e já faz planos de alcançar o Congresso Nacional BrasileiroDa centenária competição entre republicanos e democratas, todos conhecem um pouco. Afinal, essa efervescente disputa entre conservadores e liberais, que há décadas dividiu o povo americano basicamente em duas correntes ideológicas, não só interessa à América, como a todas as nações do planeta. Agora, o que você diria se encontrasse republicanos e democratas convivendo harmoniosamente, como se nenhuma diferença houvesse entre eles? Farsa ou milagre? Pois se há quem ache improvável que essa cena ocorra, há também quem acredite na ação transformadora e unificadora do Evangelho de Cristo. Esse é o caso da ONG “Capitol Ministries” – uma instituição cristã fundada pelo ex-jogador da NBA Ralph Drollinger – que há 12 anos tem se destacado como referência, ao promover a capacitação e a formação de discípulos de Cristo entre os integrantes da arena política americana.
HISTÓRIA
Ralph Drollinguer conta que “passaram-se alguns meses e um dos membros da assembléia, Steve Baldwin, sugeriu aos parlamentares que Drollinguer passasse a ensinar-lhes a Palavra. Ele disse: “Já que Ralph parece estudar o que estamos discutindo aqui, e ainda nos providencia informações precisas e comentários relevantes acerca das passagens bíblicas, o que vocês acham da idéia de tê-lo como um ministro da Palavra aqui no Parlamento”? Nascia a primeira base fixa de estudos bíblicos dentro do próprio Capitólio de Sacramento, um modelo de discipulado que deu certo e logo se notabilizou pela visão sonhadora de sua diretoria, isto é, “alcançar a todo oficial eleito, em todas as cidades e nações do mundo, em qualquer nível de governo” sejam prefeituras, administrações públicas estaduais, federais, etc.CONTROVÉRSIA
Eu, particularmente, gostaria de acreditar nessa união entre republicanos, democratas e independentes”, afirmou o pastor Michael Kirk, da Igreja Greater Grace de Baltimore, Estados Unidos, “no entanto, como a maioria dos americanos cristãos conservadores, acho difícil isso acontecer”. O motivo? Ele acredita que os ensinamentos bíblicos, se apresentados de forma correta, condenam abertamente alguns dos princípios defendidos pelos liberais democratas como o aborto e o casamento gay, por exemplo.
Despreocupado com essas diferenças, o vice-presidente do Ministério de Operações e Crescimento do “Capitol Ministries”, Sean Wallentine, dá o parecer da instituição. “Nós trabalhamos pela transformação de corações e não pela mudança de leis. Nossa missão é fazer discípulos e não política.” Para ele, se o coração do congressista estiver verdadeiramente transformado, isso, obviamente, deve refletir em seus votos e atitudes no Parlamento.INFLUÊNCIA POSITIVA
“Essas reuniões só nos influenciam positivamente”, disse a representante do Estado da Carolina do Norte, Ruth Samuelson, assídua participante dos estudos bíblicos do “Capitol Ministries”, em recente entrevista à revista “World Magazine”. “Esse é um dos poucos eventos que republicanos e democratas freqüentam juntos”, enfatizou. Samuelson diz que apóia o projeto porque crê que esse tipo de reunião “propicia um ambiente de franqueza e transparência entre os presentes” já que apenas legisladores são freqüentadores do recinto.
EXPANSÃO DO PROJETO PARA A AMÉRICA LATINA
Questionado se a organização, que também deve abrir bases no Brasil, visa de alguma forma influenciar os parlamentares para que votem projetos e emendas, de acordo com os princípios cristãos, Bongarra esclareceu que “absolutamente, o “Capitol Ministries” não se trata de uma ferramenta de “lobby” político ou, de alguma forma, representação política do povo cristão. Queremos apenas discipular parlamentares, executando o ‘Ide e fazei discípulos’ ordenado por Jesus. Agora, se ensinar a Palavra de Deus é trabalhar para que haja cada vez menos violência infantil; é ter uma posição clara a respeito da matança de crianças que nunca vão poder ver a luz devido à legalização do aborto; é pregar que Deus nos fez homem e mulher e que ele nos deu a bênção de poder desfrutar do matrimônio, então eu quero fazer isso. A verdade é, se não despertamos oposição, é porque estamos calados”, destacou.
Luciano Bongarra, que também é fundador da organização Atletas de Cristo na Argentina e no Uruguai, diz que o trabalho efetivo do “Capitol Ministries” começará em março de 2009 por Buenos Aires e Ciudad de La Plata, capital da maior província do país. “Nossos planos são começar com um estudo bíblico semanal no Congresso Nacional – e graças a Deus, já temos permissão para realizar esses encontros lá dentro –, prosseguindo com a formação de cinco grandes grupos de estudo, por todo o país.” Tão logo essas bases sejam estabelecidas, “partiremos para o segundo passo, com a implantação do projeto em outros países da América Latina, começando pelo Brasil, onde, se Deus permitir, lançaremos uma base em cada capital. Para isso, vamos precisar de brasileiros que sintam paixão pelas almas e que estejam dispostos a ser perseguidos por causa da mensagem de Cristo. Homens que conheçam as sutilezas da Palavra, para ensinar toda a justiça. Por fim, homens que morram para que Cristo viva neles”. Ideologias à parte, importa que a mensagem de Cristo seja levada a todos. 16 Outubro, 2008
Homeschooling no Brasil
Por Oziel Alves
Nem bem os filhos chegam a idade escolar e o questionamento “Em que escola matricular as crianças?” passa a ser uma constante na vida daqueles pais que se preocupam em garantir uma educação de qualidade para os pequenos. Escola pública ou privada? Laica, Católica, Luterana, Presbiteriana, Metodista, Adventista, Batista ou apenas “cristã” sem qualquer viés denominacional?
Para a maioria dos pais, questões orçamentárias, princípios pedagógicos, orientação religiosa, capacitação dos professores e infraestrutura são fatores determinantes na hora de escolher a instituição; porém, para outros, nada disso - nem mesmo a LDB, uma lei estabelecida pelo Governo Federal, que entre outras coisas, determina ser “dever ‘dos pais ou responsáveis’ efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental” -, parece convencê-los de que, lugar de criança é na escola. Para estes pais, a escola tradicional, seja ela qual for, não oferece um ambiente moral, condizente para com seus princípios, tampouco cumpre satisfatoriamente o papel que se propõe quanto a preparar o educando para ocupar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade, por isso ensiná-los em casa, longe dos bancos escolares, lhes parece a melhor opção.
Esta é a situação da família Bueno, composta pelo casal de professores - Josué, 47 e Darcilia, 37 -, que tem 9 filhos e há 13 anos se dedicam integralmente a educação domiciliar. “Começamos desde que nossa primeira filha era uma nenezinha”, afirma José Bueno, que é formado em Letras e Teologia, exerceu a função de pastor por 11 anos, na cidade de Jardim (MS), mas hoje, depois de ser denunciado à Promotoria Pública pelos próprios familiares, mudou-se para o Paraguai. No entanto, continua a exercer a função de professor na rede pública em uma cidade na fronteira entre os dois países. “Decidimos educar nossos filhos em casa porque entendemos que eles são prioridade em nossa vida e merecem o nosso melhor. Eles nos foram dados por Deus e a Ele daremos conta de sua formação educacional, emocional, cultural e principalmente espiritual”. Quanto a instrução dos pequenos, Bueno é enfático “Os resultados tem sido muito superiores aos que meus alunos, na mesma idade tem alcançado na escola”.ENSINO TRADICIONAL NO BRASIL
No dia 5 Junho de 2008, os Deputados Federais, Miguel Martini (PHS/MG) e Henrique Afonso (PT/ AC) apresentaram um Projeto de Lei (3518/2008) ao Congresso Nacional, propondo o reconhecimento e a regulamentação da educação domiciliar de 1° a 8 série no país. Um projeto, que, segundo o Dep. Martini, “surgiu como uma resposta aos apelos de inúmeras famílias que nos contataram desejando dar aos filhos uma educação de qualidade desvinculada dos conceitos e valores que algumas unidades de ensino querem impor”.
ensor do homeschooling desde 1991, “a proposta de avaliar os alunos não é excelente, mas diante do total controle que o Estado possui nas decisões sobre as crianças, tal opção é o que diríamos ‘melhor do que nada’. Quando o Estado domina tudo numa área, a conquista de um pouco já é uma vitória, por isso precisamos pegar o que está aí no momento, até surgirem oportunidades melhores”. FAMÍLIA SHURMANN - UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO À BORDO
scente. Os três cresceram a bordo. Estudaram por correspondência. “Aprenderam responsabilidades e a estudar para aprender”, afirma Heloísa, que destaca: “Confesso que sai do Brasil com a alma pesada, pois estava tirando meus filhos da escola e os colocando a bordo e tomando a responsabilidade de educá-los. Ninguém havia feito isso antes aqui no Brasil. Quando chegamos a Nova Zelândia, eles fizeram testes em uma escola e estavam um ano a frente das crianças de sua idade”.
ooling durante a viagem dos 5 aos 7 anos e meio, porém ao retornar ao Brasil freqüentou uma escola tradicional até completar 11 anos, quando a família saiu novamente em viagem pela Costa do país. “Sobre o Projeto de Lei, achamos que a experiência de assumir a educação dos filhos exige amor, dedicação e trabalho. Sei que o ensino domiciliar não é uma opção para todos, mas se os pais têm aptidões para ensiná-los, porque não dar-lhes a possibilidade de escolha?”, opina Heloísa. 08 Outubro, 2008
John Lennon mal interpretado há 42 anos
Quinze anos depois, no dia 8 de dezembro de 1980, Lennon - que morava com a mulher Yoko Ono em um apartamento de frente para o Central Park em Nova Iorque - é morto com cinco tiros por um fã que, horas antes, havia lhe pedido um autógrafo. Surgia entre os religiosos o comentário: “Deus nunca se deixa zombar”, como se a frase dita por Lennon tivesse determinado sua condenação.
Agora, 28 anos após sua morte, a recente descoberta de uma entrevista concedida por Lennon à CBC em Montreal no ano de 1969, pode colocar fim a todas as acusações feitas ao cantor, ao que tudo indica, injustamente.
Na gravação – que em breve deverá ser veiculada na BBC4 de Londres – Lennon é questionado sobre a afirmação que lhe rendeu duras críticas por todo o planeta. Mas, ao contrário do que as inúmeras biografias relatam, ele defendeu-se dizendo que aquilo era apenas uma expressão: “De fato, os Beatles parecem ter maior influência sobre a juventude do que Jesus”, afirma Lennon “Agora, eu não estava dizendo que isto era uma boa idéia, até porque eu sou um dos maiores fãs de Jesus Cristo. Se eu puder mudar o foco dos Beatles para transmitir a mensagem de Cristo, então, é isso que o grupo vai fazer. Talvez as igrejas não se encham por causa dessa mudança. Mas haverá muitos cristãos dançando nas casas de show. O que eles celebram, não acho que seja importante, desde que todos estejam conscientes da mensagem do Evangelho”.
Se as idéias de Lennon, o compositor de “Imagine no religion”, ainda parecem profanas para o Cristianismo moderno, não vem ao caso - afinal, o astro considerava as instituições religiosas hipócritas e sempre lembrava de um padre que o havia expulsado da igreja por ter rido durante uma missa, quando tinha apenas 14 anos - Certo ou errado, fato é que sua polêmica afirmação só quis expressar que a igreja institucionalizada dos anos 60 não dialogava tão bem com a juventude da época, quanto as músicas apresentadas por seu grupo. Resta saber "se a igreja coporativista da atualidade", como diz Bono Vox, já mudou a sua concepção.
02 Outubro, 2008
Editorial do Rio Grande Gospel, Set 2008

Mas, por que? Por que não se questiona se o médico evangélico só deve operar convertidos, ou se a faxineira só deve trabalhar na casa de irmãos, ou ainda se jornalistas cristãos só devem desempenhar seus ofícios na mídia gospel, negando qualquer oportunidade que lhe seja concedida na mídia secular? Por que o publicitário cristão pode utilizar sua criatividade para fazer peças publicitárias a fim de vender produtos seculares e o escritor cristão é criticado ao produzir um romance ou uma ficção não religiosa? Por que o músico cristão só pode fazer canções que falem em Deus, contendo os 4 elementos básicos "água, fogo, terra e ar", com suas variações secundárias como chuva, enchente, incêndios, brisa, e que sejam tocadas em eventos religiosos? Aliás, porque estou colocando a palavra "cristão" após a profissão do indivíduo?
É uma pena que por várias décadas, senão séculos, a igreja se perdeu numa série de discussões incoerentes sobre a relação cristianismo e as artes. Cinema, teatro, música e moda ganharam, indevidamente o selo do pecado. Denegriu-se o belo. O tempo passou e infelizmente, ainda hoje, pseudo-líderes teimam em incutir nas mentes anestesiadas de jovens e nem tão jovens cristãos, que arte fora dos templos é imunda, logo pecaminosa. Uma falácia e tanto.
Convenhamos, a vida do cristão tem de ser encarada de forma integral, onde todas as áreas estejam sob a soberania e influência do Senhor, como afirma o jornalista e escritor Steve Turner na matéria de capa desta edição. Pensar em uma vida espiritual e uma vida carnal como duas coisas a parte é o empurrãozinho que muitos pseudo-líderes precisam para manter suas ovelhas em seus currais, “protegidos” de tudo, inclusive do bom e velho “vício” de pensar. Uma mentalidade de gueto, que em muitos casos, tem transformado a dita arte “feita por cristãos” em coisas medíocres e irrelevantes.
Diz a Palavra que a Igreja Primitiva tinha a simpatia do povo e, assim “o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (Atos 2.47 – NVI). Será que hoje a Igreja tem a simpatia dos seus vizinhos? Da comunidade ao seu redor? Conheço algumas que tem se tornado extremamente relevantes na sociedade. Ouso citar aqui, a Igreja Brasa de Porto Alegre que tem desempenhado um trabalho social de referência para nossa sociedade. Serviço este, digno de aplausos. Infelizmente, ainda são poucas as que conseguem se envolver com o próximo. Pior ainda se pensarmos no envolvimento artístico.
Hans Rookmaaker, teólogo holandês afirmou que “se Deus nos deu talento, podemos – ou melhor, devemos usá-los criativamente”. Afirmou ainda que “ser filho de Deus é receber liberdade. (...) Sem liberdade não há criatividade, sem liberdade não há originalidade, sem liberdade não há arte, sem liberdade não há cristianismo”.
Ah... Quanto ao Paulo Coelho, eu realmente não sei a resposta. Será perdoável? Vale uma enquete!
Boa Leitura.
Oziel Alves
05 Agosto, 2008
Senhor, salve-nos dos teus seguidores
"Lord, Save-us from your followers", um vídeo documentário recentemente lançado nos EUA, aponta as contradições do povo que diz seguir a JesusPor Oziel Alves
Num estilo a lá Michael Moore, afiado na retórica e no humor sadio, Merchand saiu pelas ruas de Nova Iorque questionando estranhos a cerca de suas opiniões sobre a representatividade do povo cristão na sociedade americana. Ele, que também é cristão e diz ter feito o documentário primeiro para si mesmo, quer explicar porque o tão pregado evangelho de amor está dividindo a América. Para ele “Nos estamos muito mais interessados no estar certo do que mesmo no evangelho de Jesus Cristo”.
O documentário inédito que se propõe a ser um espelho para todo o cristão, mostra o quanto nossa habilidade de julgar, diminuir, e nos separar do outros, seja por raça, denominação, orientação sexual, divórcio etc está mais aguçada do que o principio fundamental de amar ao próximo exigido por Jesus. No resumo da obra, se somos verdadeiramente representantes de Deus na terra, então, ou este deus é escrito com letra minúscula ou a assessoria divina deve ter cometido falhas no processo de seleção e recrutamento de pessoal.
MAIORES INFORMAÇÕES
http://www.lordsaveusthemovie.com/
04 Agosto, 2008
Doações à Igreja poderão ser deduzidas do IR
Reportagem - Janary Júnior
China e Olimpíadas
Certamente, as Olimpíadas representam um fenômeno mundial, mas também não deixam de ser uma imensa cortina de fumaça, encobrindo verdades de uma nação que carece de muito amor e misericórdia. Que a plenitude de Deus esteja com a China!
A MATÉRIA NA INTEGRA NO SITE DA REVISTA ENFOQUE GOSPEL
03 Agosto, 2008
Música contra as drogas
Em Porto Alegre (RS) inspetor de polícia lança CD gospel voltado para prevenção e reabilitação de dependentes químicosMúsica para agradar a alma e recuperar viciados que vivem à margem da sociedade nas ruas de Porto Alegre (RS). Esta foi a forma que Cláudio Conceição – um inspetor de polícia que atua no combate à criminalidade há mais de 12 anos – encontrou para tentar amenizar o estrago irreparável que as drogas causam a milhares de famílias em toda a região.
Conceição, que também é membro da Igreja Batista Filadélfia, já perdeu as contas do número de vezes que, durante a madrugada, atendeu jovens embriagados, drogados, até mesmo feridos – por arma de fogo ou faca –, desesperados e sob o efeito das drogas. Eles chegam implorando por algum tipo de ajuda. O policial relembra que numa ocasião, por volta das 3h30 da manhã, um rapaz de apenas 17 anos abriu a porta da 18ª DP na Vila Safira, onde trabalha, e disse: “Seu ‘polícia’, por favor, me ajuda. Não agüento mais esta vida. Não quero mais roubar ninguém, mas se o senhor não me prender agora, vou acabar fazendo bobagem. Ou eu mato alguém ou alguém me mata”.
Conceição conta que procurou acalmá-lo. “Conquistei a confiança dele, me identifiquei como evangélico, tirei-lhe a arma e disse que sabia pelo que estava passando. Orei com aquele jovem e lhe propus que fosse a um lugar onde pudesse descansar e tomar um banho quente, já que estava todo molhado e tremendo de frio.” O jovem aceitou a sugestão e Conceição imediatamente contatou o centro de recuperação de dependentes químicos Bom Samaritano, que em questão de minutos chegou à delegacia para buscar o rapaz. “Dia a dia, tenho tido a possibilidade de interferir positivamente no rumo de algumas vidas. Infelizmente, há pessoas que a gente não consegue impedir a ocorrência de um trágico fim.”
01 Agosto, 2008
Como vai a sua Igreja?

Não é novidade para ninguém. Nas últimas duas décadas, milhões de igrejas evangélicas em todo o mundo, passaram por grandes transformações. Algumas nos usos e costumes; outras tantas no próprio ritual de culto. Na música houve um avanço considerável. Nas artes, conquistas inimagináveis. No sermão de exortação um abrandamento da palavra, privilegiando muito mais a prosperidade e a felicidade terrena do que mesmo “a vida eterna” como a maior recompensa para os sofrimentos deste mundo. Para ganhar as massas a Igreja aderiu à mídia. Investiu em marketing, programas de relacionamento e entretenimento. E, assim como o mundo corporativo, passou a adotar técnicas - de evangelismo, discipulado, formação de liderança e gestão de pessoal -, muito semelhantes às estratégias utilizadas pela administração secular, como a definição de metas e público-alvo. Resultado? Templos superlotados.
Mas, afinal, diante de tantas novidades que tem incrementado a população das igrejas será que o “evangelho pregado” está sendo relevante para as pessoas? Ou é a mídia, a boa música e os programas de entretenimento que têm levado multidões à congregar numa denominação? Será que a inserção de programas estratégicos cada vez mais criativos, tem ajudado no crescimento espiritual de seus membros ou estes programas apenas tem mantido a membresia ocupada?
Cientes de que quando se trata de crescimento espiritual, números não necessariamente determinam o sucesso de um ministério, uma das igrejas evangélicas que mais se destacam na ênfase em métodos estratégicos de treinamento e discipulado, a Willow Creek Community Church (WCCC), com sede em Chicago (EUA); na pessoa de seu fundador Pastor Bill Hybels – Líder desta organização que envolve mais de 12 mil igrejas associadas em 35 países - admitiu publicamente no último Leadership Summit (uma conferência internacional realizada para cerca de 80 mil lideres eclesiásticos em todo planeta) que alguns dos projetos e estratégias, que há muito tempo eram, utilizados e aplicados pela igreja, com o fim de executar a missão: “transformar pessoas ímpias em seguidores verdadeiramente comprometidos com Cristo”, apesar dos excelentes resultados numéricos, não estavam contribuindo para o amadurecimento espiritual de sua membresia. Uma afirmação no mínimo desconfortável para uma organização multimilionária que há 30 anos tem estimulado a liderança de igrejas evangélicas espalhadas por todo o planeta a reproduzir seus programas, métodos e estratégias, já que aparentemente eles produziam bons resultados.
A constatação do pastor Hybels teve base numa pesquisa qualitativa intitulada Reveal: Where are you? (Revele: Onde você está?) que, realizada entre os anos de 2004 e 2007 com os membros da própria Willow Creek e outras 30 igrejas, “revelou resultados estrondosos e inimagináveis” diz Hybels. “Queríamos saber quais os programas e atividades da igreja estavam realmente auxiliando as pessoas a amadurecer espiritualmente e quais não atingiam essa meta”. A surpresa ficou por conta da revelação dos resultados.
Na opinião daquelas pessoas que ainda não haviam se decidido por Cristo e também daquelas que após a conversão davam os primeiros passos na fé, a igreja obteve a seguinte classificação "atende plenamente as nossas necessidades". Porém, um quarto daqueles que se auto-intitularam “Pertos em Cristo, isto é pessoas que já passaram da fase "primeiro amor" ou ainda “maduros na fé” declararam estar insatisfeitos com o papel da igreja em seu crescimento espiritual. Mais alarmante ainda foi descobrir que 63% deste público, que frequenta esta Igreja referência, considerou deixar a denominação. Foi aí, que o alarme soou em todo o mundo. Afinal, como uma igreja que é tida como referencial de programas e estratégias para ganhar e consolidar pessoas pode chegar a esta conclusão?
“Nós cometemos um erro” admite o pastor que agora pretende fazer modificações nos cultos do meio de semana e inclusive no culto de domingo. Como? Possivelmente, diminuindo o entretenimento e ministrando a palavra de forma mais efetiva e contundente. “Descobrimos que algumas das coisas em que investimos milhões de dólares, pensando que auxiliariam as pessoas a crescer e a se desenvolver espiritualmente, não estavam ajudando tanto." No entanto programas mais simples, aqueles que privilegiam os aspectos mais básicos da vida cristã, e que ironicamente não exigem tantos recursos para serem postos em prática, foram justamente as coisas das quais os membros mais sentiram necessidade na igreja. “O que nós deveríamos ter feito quando as pessoas cruzaram a linha da fé e se tornaram cristãs, era ensiná-las que é de sua responsabilidade a busca pelo alimento espiritual. Nós deveríamos ter cuidado das pessoas, ensinado-as, a ler suas Bíblias entre os cultos e como praticar suas disciplinas espirituais mais agressivamente e por contra própria” constatou o líder.
Bill Hybels chamou a pesquisa de “O despertar de sua vida adulta” e sua sinceridade em admitir o erro, lhe rendeu muitos elogios, mas também críticas pelos 5 continentes. Também pudera, depois de se destacar com uma das 25 pessoas mais importantes, entre as personalidades americanas, seus passos e livros tem sido seguidos à risca por milhões de líderes, e seus projetos e idéias tem influenciado milhares de igrejas, inclusive no Brasil. Entre erros e acertos, uma coisa é certa: A igreja pode inovar em todas as áreas, porém a palavra de Deus permanecerá imutável. O crescimento espiritual tão discutido e almejado por muitos, nunca dependerá de programações suntuosas, espetáculos, 40 passos, simpósios, conferências e estratégicas de marketing. Esta condição necessária à vida de todo cristão só pode ser adquirida através do jejum, da oração, do relacionamento com Deus à sós, da leitura bíblica diária, da comunhão em Cristo e do relacionamento sincero com os irmãos. E estas coisas? Bem, elas não precisam de grandes investimentos. O evangelho é simples. É para todos e está acessível até as mais humildes congregações.
REVEAL TAMBÉM ACONTERÁ NO BRASILDepois ser aplicada em cerca de 30 igrejas na América do norte, a pesquisa elaborada por Greg Hawkins, pastor executivo da Willow Creek e Cally Parkinson, deverá receber uma nova edição. Desta vez, cerca de 500 igrejas participarão da avaliação. 400 em território norte-americano, 5 no Brasil e 95 em outras nações.
MAIORES INFORMAÇÕES
http://www.revealnow.com/
À frente do Conselho Mundial de Igrejas
Há 60 anos visando estabelecer uma relação ecumênica entre as denominações cristãs, a instituição ainda sobre duras críticas e não recebe o apoio de grande parte das igrejas evangélicas brasileiras. O reverendo Walter Altmann, um de seus mais importantes líderes, explica o porquê.Por Oziel Alves
“Um só Deus. Um só Espírito. Uma só fé.” Esta é uma tríade que vem sinalizando o caminho do cristianismo no mundo. Atualmente existem mais de 38 mil tipos de denominações cristãs diferentes, entre católicos, ortodoxos, anglicanos, metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, pentecostais, neopentecostais etc. Na teoria, um só povo. Na prática, grandes ou pequenas diferenças ideológicas parecem delimitar – seja com muros, cercas, interpretações, doutrinas ou costumes – esta afirmação. Mas, afinal: é possível existir união verdadeira entre denominações distintas apenas pelo fato de confessarem a mesma fé
Foi diante desse desafio que, em 1948, um grupo de delegados, representando diversas igrejas cristãs, reuniu-se em Amsterdã (Holanda), para selar “um firme propósito de permanecerem juntos”, deixando as diferenças de lado, para considerar aquilo que tinham
A instituição cresce rapidamente. Ganha notoriedade junto à sociedade e órgãos internacionais, sobretudo pelos programas de serviço como combate à fome, miséria, Aids e discriminação racial. Em pouco tempo, se notabiliza como a maior organização cristã empenhada na luta pela unidade da igreja e pelo diálogo inter-religioso.
Se por um lado o ecumenismo ganha forte apoio, sobretudo por parte das denominações ortodoxas, anglicanas, luteranas etc., por outro, principalmente entre as igrejas evangélicas brasileiras conservadoras, ele se estabelece como um dos principais empecilhos para o engajamento nesta unidade, já que por muitas denominações o movimento é considerado anticristão, visto que ignora o princípio coletivo da perseverança na doutrina dos apóstolos, conforme Atos 2.42, para configurar suas relações.
As críticas e acusações são muitas. Algumas delas, dirigidas até mesmo à alta cúpula da instituição. E foi para esclarecer essas questões um tanto polêmicas, que Enfoque entrevistou uma das maiores autoridades do CMI, o rev. dr. Walter Altmann, gaúcho que desde 2006 desempenha a função de moderador do Comitê Central da instituição.
Altmann, 68, é casado e tem quatro filhas. Na juventude, estudou Teologia
OZIEL ALVES – Décadas atrás, algumas igrejas pediram o desligamento do CMI por acreditarem que a instituição havia deixado de lado os valores cristãos tradicionais para se dedicar integralmente às questões políticas e econômicas. Nestes 60 anos de história, o CMI de fato se tornou um organismo de ajuda humanitária ou ele é muito mais do que isso?
WALTER ALTMANN – A maioria das igrejas evangélicas brasileiras nunca esteve afiliada ao CMI. Não compartilhavam, como em boa medida ainda não compartilham, do propósito de empenhar-se pela unidade entre as igrejas cristãs. Como me disse candidamente o líder de uma delas: “Nós crescemos por divisão”. Há, no mundo evangélico e pentecostal, o temor da constituição de uma superigreja, embora este não seja de forma alguma o objetivo do CMI, mas sim o do diálogo e da cooperação, com o empenho por uma unidade que reconcilie diferenças e que não represente uma uniformidade, mas antes de tudo um reconhecimento mútuo da fé em Cristo como nosso Senhor e Salvador. As igrejas que fazem parte do CMI desejam ardentemente corresponder à oração de Jesus de que “todos sejam um, para que o mundo creia”, assim como Ele e o Pai são um (Jo 17.21).
A ajuda humanitária tem sido, na vida do CMI, apenas um aspecto, e não o primordial. Desconheço se foi esta a razão pela qual a Igreja O Brasil para Cristo, após um breve tempo de membresia, se retirou do CMI, mas ela foi a única igreja brasileira a fazê-lo.
OZIEL ALVES – O CMI já estabeleceu alguma relação ecumênica com o islã, o espiritismo, o candomblé e algumas religiões não-cristãs? A pergunta se deve à aproximação dessas religiões durante a 9ª Assembléia do CMI, realizada
OZIEL ALVES – Parafraseando suas próprias palavras – “muitas das novas igrejas rejeitam o ecumenismo, sobretudo se a igreja católica estiver envolvida” –, qual seu pensamento com relação a este quase “boicote” das igrejas evangélicas pentecostais e neo-pentecostais?
WALTER ALTMANN – Respeitamos as decisões de todas as igrejas e buscamos, na medida do possível, dialogar com elas. No Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) há um bom número de igrejas pentecostais afiliadas e, quando presidente do CLAI, tive um bom relacionamento com elas, o que, sem dúvida, enriquece um organismo ecumênico como o CLAI. Algumas dessas igrejas pentecostais latino-americanas são membros do CMI também, com participação inclusive em seu comitê central.
Creio que à medida que estabelecemos diálogo e removemos mal-entendidos, abrem-se novas perspectivas de cooperação, mesmo se não passarem por afiliação formal ao CMI. A cooperação é mais importante do que a filiação. Aliás, o movimento ecumênico é mais amplo do que o CMI, que pretende apenas servir ao movimento ecumênico mais abrangente.
Um desenvolvimento importante, nesse particular, é o surgimento do chamado Fórum Cristão Global, que teve sua primeira reunião latino-americana (com participação pentecostal, também do Brasil) em Santiago do Chile, em junho de 2007, e o primeiro fórum global em Limuru, no Quênia, em novembro de 2007. Ali, pela primeira vez na história, se reuniram altos representantes de praticamente todas as famílias cristãs – ortodoxos, católicos, protestantes históricos, protestantes evangelicais, pentecostais e independentes – que compartilharam suas experiências de fé e de sentido vocacional. É um caminho promissor, cujo desenvolvimento encomendamos à orientação do Espírito Santo.
OZIEL ALVES – Ecumenismo: esta palavra pode estar sendo mal interpretada?
WALTER ALTMANN – Há uma série de mal-entendidos em relação ao ecumenismo e em relação à própria palavra “ecumenismo”. Já aludi ao mal-entendido de que o CMI pretendia constituir-se numa “superigreja”. Ao contrário, o CMI constitucionalmente é um instrumento de diálogo e serviço das igrejas-membros, mas não tem qualquer prerrogativa de decisão sobre questões de doutrina, moral ou liturgia, em que a autonomia de cada uma das igrejas é plenamente respeitada.
Outro equívoco é que o ecumenismo teria algo a ver com “comunismo”. A semelhança fonética entre as palavras poderia estar sugerindo esta associação. Ela é, contudo, totalmente descabida. A responsabilidade social dos cristãos, pela qual o CMI advoga, é inspirada pelo próprio Evangelho, e não por alguma ideologia humana. Ela pretende corresponder, por exemplo, ao que Jesus Cristo nos ensinou na parábola do bom samaritano (Lucas 10) ou na parábola do juízo final (Mateus 25).
“Ecumenismo” provém da palavra grega (e bíblica) oikos, que significa casa. Trata-se, pois, do cuidado de nossa própria casa, nossa casa espiritual, a igreja cristã, e a casa em que habitamos, toda a criação de Deus. Nesse sentido, muitas igrejas entendem o ecumenismo como um chamado irreversível, como parte da própria natureza de cada igreja que, fiel ao Evangelho, não busca o sectarismo, mas o entendimento e a comunhão.
OZIEL ALVES – A cultura pós-moderna ocidental tem contribuído para a aceitação do homossexualismo, aborto e manipulação de células-tronco embrionárias como normais e biblicamente justificáveis. Como o CMI se posiciona diante dessas três questões tão polêmicas?
WALTER ALTMANN – Como já me referi, o CMI não “legisla” para as igrejas acerca de questões doutrinárias ou de moral, que são prerrogativas de cada uma das igrejas. Assim, o CMI não tem uma posição oficial em nenhuma das questões mencionadas. Na mesma medida em que estas questões são polêmicas em outros círculos, também entre as igrejas-membros do CMI elas não são alvo de consenso absoluto. Todavia, nem por isso essas questões devem ser vistas como tabu para o diálogo consciencioso e mutuamente respeitoso, sempre procurando auscultar os preceitos bíblicos, considerar os avanços do conhecimento científico e ter cuidado pastoral para com todas as pessoas.
OZIEL ALVES – Qual o posicionamento do CMI com relação à idéia de introduzir ensinamentos de outras religiões nas escolas?
WALTER ALTMANN – O diálogo sempre visa aproximações, remoção de mal-entendidos, busca de compreensão comum no assunto
Nós, cristãos, não gostaríamos de que os adeptos de outras religiões nos julgassem sem o devido conhecimento do que cremos e defendemos, fazendo generalizações arbitrárias acerca de nós e da fé cristã. Então, tampouco devemos fazê-lo em relação às outras religiões. Isso de forma alguma compromete nossas próprias convicções cristãs. Ao contrário, nos auxilia em apresentarmos nossas convicções de forma adequada, assim como o apóstolo Paulo o fez no areópago de Atenas (At 17).
OZIEL ALVES – O que as religiões não sabem sobre o CMI e que deveriam saber antes de criticá-lo?
WALTER ALTMANN – O CMI não faz juízo sobre o conhecimento de outras religiões a seu respeito. Saliento, porém, que somos abertos a críticas. O CMI não se considera de modo algum uma entidade perfeita, imune à pecaminosidade humana, que afeta a vida de todas as igrejas e de todas as religiões, mesmo quando se empenham em ser fiéis a seu mandato e à sua vocação. É claro que as críticas só serão realmente proveitosas quando estiverem fundadas no correto conhecimento das posições defendidas e dos programas desenvolvidos pelo CMI.
O CMI tem muitas publicações (embora a maior parte delas apenas em inglês) e um site cheio de subsídios, também em espanhol, uma das línguas oficiais do Conselho (www.oikoumene.org). Entretanto, o CMI jamais visa polemizar, mas sempre buscar um melhor entendimento mútuo.
OZIEL ALVES – Há uma matéria – publicada pela FrontPageMagazine.com e intitulada “Fantasmas Soviéticos Assombram o CMI” – circulando na web, que o acusa de ser um teólogo pró-marxista e socialista e de ter apoiado, no final da década de
WALTER ALTMANN – Não diria que a reportagem me trouxe constrangimentos porque quem me conhece sabe que as acusações são totalmente infundadas e arbitrárias. Ela me trouxe, isso sim, muita decepção de que no âmbito cristão sejam construídas matérias desse tipo e difundidas livremente, sem o cuidado elementar de ouvir as próprias pessoas criticadas e acusadas. Nesse sentido, agradeço à revista Enfoque por me dar, nesta entrevista, a oportunidade de esclarecer essa questão.
Qualquer pessoa minimamente informada acerca da Conferência Cristã pela Paz (CCP) sabe que ela teve duas fases: antes e depois da invasão da Tcheco-Eslováquia pelas tropas soviéticas em agosto de 1968. Como movimento, a CCP surgiu na década de 1950 e foi inspirada pelo respeitável teólogo tcheco Josef Hromádka, que se empenhava pelo encontro e diálogo de cristãos do Leste e Oeste, no tempo da assim chamada Guerra Fria.
Fui convidado e participei da Conferência que se realizou na capital do país em março de 1968,
Quanto à invasão soviética, Hromádka manifestou de público sua profunda decepção e crítica candente. Quanto a mim, não tive a partir daí nenhum contato mais com a CCP. Portanto, é totalmente descabido fazer referência a eventos posteriores, como a invasão do Afeganistão, e pretender, à base disso, estabelecer alguma ligação soviética minha ou do CMI. Sou cristão e é a partir da fé
OZIEL ALVES – Qual o seu maior desafio e a sua maior recompensa frente a uma instituição que congrega 349 denominações, entre ortodoxos, anglicanos, protestantes, pentecostais e independentes de 110 países diferentes?
WALTER ALTMANN – No CMI é grande a pluralidade das igrejas representadas; grande, portanto, a variedade de tradições confessionais, de estilos de ser igreja, de ênfases teológicas, de formas de adoração. Isso sem falar nas diferenças culturais, já que ali estão congregados representantes de igrejas de todas as regiões do mundo.
O maior desafio, mas também a experiência mais gratificante, é desenvolver nessa pluralidade o sentido profundo de fraternidade entre irmãos e irmãs na fé em um mesmo Senhor e Salvador, sob o trino Deus, reunir-se em oração (nos mais diferentes estilos – Deus sempre nos ouve!), compartilhar experiências de fé, dialogar acerca dos assuntos que movem as igrejas e fortalecer-se mutuamente para a missão, o serviço e o testemunho público. Não posso imaginar-me sem essa profunda experiência de vivência cristã.
OZIEL ALVES – No dia 9 de setembro de 1964, W. A. Visser ‘t Hooft, primeiro secretário-geral do CMI, disse que o Conselho era um instrumento da unidade cristã. E ele foi além – “Ele deve desaparecer quando esta unidade for alcançada”. Quarenta e quatro anos depois, como você avaliaria a questão da unidade da Igreja no mundo?
WALTER ALTMANN – Como o CMI é um instrumento das igrejas e não uma finalidade em si, é parte de sua identidade e visão projetar os tempos em que ele se torne superado e, portanto, desnecessário, porque as igrejas terão encontrado outros caminhos para dar expressão palpável à sua unidade. Em minha alocução ao Comitê Central do CMI, em fevereiro passado*, quando celebramos os 60 anos de criação do Conselho, mencionei que muitas pessoas podem estar desencantadas com a lentidão do processo de aproximação e entendimento entre as igrejas cristãs. As dificuldades e os obstáculos são maiores do que o entusiasmo inicial que o ecumenismo fazia supor.
Há a tentação permanente de nos recolhermos cada qual ao interior de sua própria denominação. Mesmo assim, há avanços notáveis: em primeiro lugar, há a radical mudança de clima no relacionamento entre as igrejas, hoje muito mais respeitosas mutuamente; em segundo lugar, se o termo “ecumenismo” ainda é controvertido, a “unidade”, que é o coração do ecumenismo, é mais um tópico importante na agenda de todas as igrejas, não apenas daquelas que são membros do CMI.
OZIEL ALVES – Qual a importância do envolvimento da Igreja em questões políticas, econômicas e sociais, como é o trabalho do CMI no combate à Aids na África, por exemplo?
WALTER ALTMANN – Acentuo primeiramente que o CMI considera missão, diálogo teológico e ação social como partes integrantes da responsabilidade que as igrejas têm, e não considera a ação social como mais importante do que a missão e o diálogo teológico.
No tocante às questões políticas, econômicas e sociais, observamos que a globalização econômica não diminuiu a pobreza, a desigualdade e a destruição da natureza. Pelo contrário, levou à destruição do meio ambiente e aumentou o abismo entre pobres e ricos. Hoje provoca até uma crise alimentar de dimensões globais. Os grupos mais afetados são os pobres e, dentre eles, em especial as mulheres, os jovens, os povos indígenas e as pessoas com deficiência.
O grande desafio ecumênico nesta área é relacionar a pobreza, a riqueza e a ecologia a partir de uma forma concreta de análise, reflexão e ação com vistas à transformação de estruturas econômicas injustas, contribuindo, inclusive, para erradicar a pobreza, conforme a oitava Meta para o Milênio, estabelecida pela ONU.
No tangente ao trabalho relacionado ao combate à Aids, menciono a “Iniciativa Ecumênica em HIV e Aids na África”, que é desenvolvida entre as igrejas e pessoas na prevenção contra esta pandemia, promovendo o cuidado e aconselhamento às pessoas afetadas, e trabalhando pela eliminação do estigma e da discriminação sofrida pelos soropositivos.
Igrejas e comunidades são capacitadas e preparadas para interpretar seu papel nesses contextos a partir de sua confissão cristã, sua reflexão teológica, educação e ação. Consultorias, treinamento, publicações e aconselhamento pontual são oferecidos pelas igrejas e organizações ecumênicas que trabalham na região.
OZIEL ALVES – O CMI se notabilizou, sobretudo nos anos 80, por contribuir com o fim do apartheid. Como aconteceu esta mobilização?
WALTER ALTMANN – O racismo tem sido motivo de preocupação do movimento ecumênico ao longo dos últimos 70 anos. Em 1968, o comitê central do CMI criou o Programa de Combate ao Racismo (PCR). Houve ação junto aos governos dos demais países pleiteando a remoção do apoio ao regime segregacionista na África do Sul e na então Rodésia. Houve também empenho a que se retirassem os investimentos em empresas que apoiavam o apartheid. E houve ajuda humanitária, na área da saúde e da educação, à população pobre das nações em conflito.
A oitava assembléia do CMI, realizada em Harare, Zimbábue, em 1998, celebrando os 30 anos desse programa, recebeu o então presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Ele ocupou a tribuna central para agradecer o empenho direto do CMI na luta contra o apartheid e destacou a contribuição, entre outras, na área educacional: “O apoio de vocês exemplificou, na forma mais concreta possível, o modo através do qual a religião contribuiu para a nossa libertação”.
Enquanto isso, infelizmente, houve também outras igrejas que sustentaram o regime do apartheid, inclusive procurando legitimá-lo biblicamente. Também hoje o racismo não está superado no mundo e o CMI continua sabendo-se responsável na busca de sua abolição em toda parte, em todas as suas formas.
OZIEL ALVES – Que recado você deixaria para a liderança das denominações brasileiras, sobretudo aquelas que ainda não fazem parte do CMI e que, por razões conhecidas ou não, ainda rejeitam esta idéia de apoiar o ecumenismo?
WALTER ALTMANN – Eu faria um convite fraterno à liderança das denominações brasileiras a que buscassem as informações mais amplas possíveis acerca do CMI, não apenas de fontes terceiras, mas também junto a ele próprio. E abrissem a oportunidade do diálogo com irmãos e irmãs na fé que têm participado da vida do CMI, sem juízos prévios, mas no intuito de nos conhecermos mutuamente de modo mais profundo. Para contatar o CMI, basta acessar o website http://www2.wcc-coe.org/.
O cenário religioso mundial está em profunda transição. A proliferação de igrejas no mundo, em número cada vez maior, por mais regozijo que possa causar pelo crescimento de igrejas, não pode ser o alvo final de nossas relações. Precisamos dar ao mundo um testemunho mais unido da “razão da esperança que há em nós”
(1 Pe 3.15).
* Disponível em http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/
comite-central-del-cmi/ginebra-2008/informes-y-documentos/
24 Julho, 2008
Instituto Teológico e Musical Beréia - Cezar Nunes
ENTREVISTA (Publicado no RGG) [ OZIEL ALVES ] – Quando e como surgiu a idéia de abrir uma escola de treinamento musical aqui em Porto Alegre (RS)?
[ CEZAR NUNES ] - Não. Para entender melhor podemos fazer algumas perguntas. Você escutaria a pregação de um pastor que nunca estudou a bíblia e que diz "eu sei o que a Bíblia diz, não estudei, mas é pra Deus". Creio que não. Da mesma forma, todos conhecem a máxima “Eu não sei cantar, nem ensaiei, mas é pra Deus”. Não vejo diferença entre a pregação, o louvor e nenhum outro ministério da igreja. Quem se dispõe a fazer alguma coisa para Deus, deve buscar o aperfeiçoamento e dedicar o seu melhor.
23 Julho, 2008
Minhas matérias na ENFOQUE de Julho - nas bancas
Por Oziel AlvesEste mês, a revista Enfoque Gospel traz uma a reportagem especial de capa intitulada "As duas faces da China", o país mais populoso do planeta, que esconde um lado sombrio de opressão contra todos aqueles que professam a fé cristã. Há também uma entrevista exclusiva com o Rev. Walter Waltmann, moderador do Conselho Mundial de Igrejas e ainda uma matéria com Cláudio Conceição, inspetor de polícia em Porto Alegre (RS), que lançou recentemente um CD gospel voltado para prevenção e reabilitação de dependentes químicos. Confira. Compre já a sua!
