21 Março, 2007

CONVIDADO - Alexandre Malaquias

Fechem o caixão

Por Alexandre Malaquias

Quero começar este artigo vos relatando algo no mínimo interessante.
No mês de dezembro do ano passado, não recordo bem o dia exato, estava eu conversando com uma irmã de outra denominação, que não tem vínculos de intimidade comigo, nem com minha família. Era a terceira vez que nos víamos e no meio da conversa ela me chamou a atenção e disse: o Senhor fará uma mudança radical em tua vida e em teu ministério, mas antes Ele vai levar um de teus filhos.
Dia 12 de fevereiro meu filho Ismael estava em seu quarto sentadinho em sua cadeirinha, quando de repente seu coração parou.
Minha esposa o levou ao hospital, mas ele já estava dormindo para o Senhor. Os médicos tentaram reanimá-lo, mas ele não voltaria mais. Eu estava no estúdio quando minha esposa ligou, e ao chegar no hospital, me ajoelhei aos pés dela e lhe disse que já sabia que isto iria acontecer, pois o Senhor já tinha me avisado.
Por ser minha esposa o meu lado mais sensível, decidi não lhe contar nada, pois certamente ela sofreria antecipadamente.
O velório foi algo indescritível e até hoje as pessoas que lá estiveram, comentam sobre o evento. A Bíblia diz que há festa no céu quando morre um justo, mas daí a dizer que é possível sentir a alegria desta festa aqui na terra já é demais. Mas foi o que aconteceu.
Porém eu não vou me deter no decorrer do velório e sim no final dele. A hora em que tive que dar a ordem mais importante do momento; e a ordem é essa: fechem o caixão.
Embora uma dor indescritível que penso eu poder ser comparada ao gemido inexprimível do Espírito Santo tivesse tomado todo o meu ser, eu ainda tive que ministrar o louvor no velório (prova essa que eu jamais pensei em passar) ainda assim, apenas um pensamento norteava o meu ser. E o pensamento era este: um dia alguém dirá, fechem o caixão e quem estará dentro serei eu. Este pensamento não sai mais da minha cabeça, todos os dias eu penso exatamente a mesma coisa, quando vou sair para o trabalho, eu penso, quando vou dormir, eu penso, quando vou ministra,r eu penso e mesmo agora que eu estou escrevendo este artigo eu ainda penso desta forma. Por isso decidi levar uma vida mais intensa e reta diante de Deus. Um sentimento estranho de urgência palpita em meu coração, enquanto me apresso para fazer as coisas que o Senhor me deu capacidade. Resolvi finalmente mergulhar no sobrenatural de Deus, pois acredito que a morte do filho de Deus não serviu apenas para cumprimento da palavra do Senhor, mas também para mostrar aos discípulos que à vontade de Deus é sempre cumprida.
A partir de 12 de fevereiro, comecei a louvar ao Senhor com muito mais certeza de sua presença em minha vida e na vida da igreja.
Lembrem-se disto: o Senhor não mandou que a irmã me perguntasse a respeito da possibilidade de levar meu filho; muito pelo contrario, Ele mandou que ela apenas me comunicasse.
A impressão que tenho em meu coração é de que o Senhor ao levar meu filho, deixou para mim um espírito de coragem para enfrentar o gigante.
Agora entendo a força que impulsionava os discípulos, e com a mesma força sigo eu desesperadamente em direção ao mar da grandeza de Deus, anunciando a sua majestade e benevolência.
Portanto quero eu deixar um recado para aqueles pastores soberbos, músicos rebeldes, compositores insolentes e aos “grandes ministérios”, não gastem o vosso tempo brigando com os seus irmãos e nem tão pouco com a igreja do Senhor, pois logo chegara à hora em que alguém fechara o caixão com você dentro. – Parem de brigar com seus filhos, seus maridos, suas esposas e seus subordinados. Disse Jesus: o maior tem que tornar-se o menor. Meu conselho aos músicos é o seguinte: quando vocês forem tocar para o Senhor, toquem como se fosse a ultima vez, pois amanhã podem fechar o caixão, e será você que estará dentro dele.
Para encerrar quero dizer que tenho consciência de que muitas vezes, ofendo as vossas inteligências quando falo de alguns ministérios conhecidos, porém minha mais profunda intenção é de lembrar-vos que grande na igreja é Jesus, o resto é pó da terra incluindo você e eu.
Deus vos abençoe.
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* Publico aqui, na sessão CONVIDADOS o belíssimo artigo do meu amigo Alexandre Malaquias. Tenho grande admiração por sua pessoa, e neste momento de perda minha oração é justamente esta, QUE DEUS O DÊ FORÇAS A ELE E SUA FAMÍLIA (Jó) EM DOBRO a fim de superar esta terrível dor.

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4 Comments:

At 8:21 PM, Blogger Leah Santos said...

Este texto/testemunho de Alexandre Malaquias mexe com meus brios. Não só pela perda de um filho ou pelo pensamento de que um dia vão fechar o meu caixão, mas por essa apatia que me incomoda... É preciso fazer algo enquanto posso!"Convém que eu faça a obra dAquele que me enviou enquanto é dia..." Sei que posso e devo fazer algo... O que? Como? Essas interrogações...

 
At 8:15 AM, Blogger Poliane said...

Eu ja tinha lido, mas não tinha comentado...

Meus olhos se enchem de lágrimas...
Meu coração fica pequeno...
Imaginar um dia que para eu seguir com os planos de Deus ter que levar a minha filha...
Só Deus nos dá a força necessária para seguir e me sinto pequena ao ver o seu amigo com tanta força divina em seu ser!! Que o seu exemplo nos mostre exatamente o que Deus quer nos mostrar... que um dia fechará o caixão e nós estaremos dentro dele.

 
At 10:30 AM, Anonymous Anônimo said...

Olá...lindo testemunho...mas preciso tirar uma dúvida e quero deixar bem claro que não tem nada a ver com a morte do filho do Malaquias...Amado irmão...conheço várias músicas católicas, etc...não entendi sua parceria em composições em músicas católicas, embora as letras não contradizem a palavra de Deus, mas porque? gostaria que me esclarecesse sua visão...eu não o julgo, mas gostaria de entender...
Meu e-mail:lillianlc@terra.com.br

 
At 11:53 PM, Anonymous Ricardo Gomes said...

Boa Noite

Deus os Abençoe

Mala lembra do teu filho Ricardo (na Fé)

percorri essa passagem com vc....mais nunca consegui sentir o que vc sentiu,pois, seu sentimento é de pai e o meu de irmão.....mais gostaria de colocar aqui minha sincera palavra
TE AMO
entendo todas as suas palavras

 

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