ENTREVISTA (Publicado no RGG) TRABALHO NA IGREJA: PROFISSIONAL OU VOLUNTÁRIO?
Se no passado a liderança cristã entendia que somente os pastores deviam obter formação teológica, hoje o treinamento técnico-ministerial se faz necessário a quase todo o staff da igreja, sobretudo ao ministério de louvor.
Por Oziel Alves
Cezar Nunes é músico e diretor de ensino do INSTITUTO TEOLÓGICO E MUSICAL BERÉIA - uma instituição inter-denominacional de treinamento técnico-ministerial localizada em Porto Alegre (RS). Nessa entrevista ele fala ao Rio Grande Gospel sobre a visão de “serviço com excelência’ que o motivou a trazer à capital gaúcha o Instituto Beréia Musical e principalmente sobre a necessidade de preparo técnico ministerial que os jovens necessitam para trabalhar junto ao ministério de louvor de suas igrejas. Com propriedade e experiência, Nunes analisa a transição entre uma comunidade evangélica que basicamente dependia do voluntariado para uma comunidade que cada vez mais apela para o trabalho profissional. Quebrando paradigmas e preconceitos, ele fala da importância do preparo para o gerenciamento de qualquer ministério dentro de uma Igreja Cristã.
[ OZIEL ALVES ] – Quando e como surgiu a idéia de abrir uma escola de treinamento musical aqui em Porto Alegre (RS)?
[ CEZAR NUNES ] - O sonho de abrir uma instituição de ensino ministerial surgiu a partir de uma sede que eu tinha por um local onde pudéssemos estudar o que amamos fazer: música. A Igreja, de modo geral, têm entendido que é necessário buscar pessoas capacitadas não apenas tecnicamente, mas também ministerialmente para o desempenho de suas funções no templo. Então, em março de 2007, ao retornar de Buenos Aires, onde concluí minha formação em música no Instituto CanZion de Marcos Witt, inauguramos a área de treinamento musical – dentro do Instituto Beréia, que já existia mas formava apenas teólogos, e então passamos a treinar músicos, ministros de louvor, dançarinos etc. Juntamos professores capacitados de diversas igrejas e começamos a trabalhar neste projeto. Hoje, 1 ano depois, já temos cerca de 70 alunos estudando juntamente conosco.
[ OZIEL ALVES ] – Para você a igreja ruma à profissionalização do seu quadro de voluntários? Estes alunos estão sendo preparados para serem profissionais, sem qualquer sentido pejorativo, pagos pela igreja?
[ CEZAR NUNES ] - A questão “viver do ministério ou não” deve ser irrelevante para o aluno. Se a igreja onde ele congrega tem condições de pagar um profissional, amém. Se não há, cada ministro deve fazer o seu trabalho dentro do tempo disponível, com excelência. Em primeiro lugar, queremos que o aluno entenda de fato o que é ser um adorador. Descobrindo isso, ele definirá seus propósitos e passará a vencer os obstáculos da vida ministerial com maior facilidade.
[ OZIEL ALVES ] - Ao que você atribui este interesse da igreja em buscar pessoas capacitadas para o desempenho de atividades que antes eram exercidas por voluntários descapacitados?
[ CEZAR NUNES ] - A igreja está amadurecendo e entendendo coisas que no passado não compreendia. Antigamente o louvor era tido como uma parte não muito representativa do culto. Muitas pessoas chegavam somente na hora da pregação, e se em alguma reunião não houvesse música, isso não representaria um problema. Hoje, estes conceitos estão sendo modificados. A liderança compreende que o louvor não é nem menos, nem mais importante do que outra parte do culto, ou seja ele faz parte do todo. Certamente esta conscientização, foi um dos fatores que despertou a liderança para capacitar músicos e ministros de louvor. Felizmente, esta visão está crescendo e sendo compartilhada por um número cada vez maior de denominações. Dançarinos, operadores de som, qualquer pessoa que de alguma forma trabalhe em alguma área da igreja, precisa ser capacitada ministerialmente para aquela função.
[ OZIEL ALVES] - Você acha que a igreja substituirá o voluntário pelo profissional, já que começa a perceber que a excelência requer qualificação e muitas vezes dedicação exclusiva ao ministério?
[ CEZAR NUNES ] - A igreja sempre dependerá do voluntariado, pois a voluntariado abençoa mais às pessoas do que a própria igreja. Se perdêssemos este espírito, haveria o risco de endurecimento. Obviamente, isso não impede que as igrejas contratem pessoas para trabalharem de forma exclusiva . Afinal, se queremos excelência precisamos contratar mais pessoas a fim de atingir outras tantas.
[ OZIEL ALVES] – Dentro deste pensamento de importância do voluntariado, qual o futuro da igreja? O líder de célula deverá ter formação em teologia, a diretora da escola dominical deverá ser educadora profissional, o músico necessitará passar por um seminário e o operador de som por uma formação técnica?
[ CEZAR NUNES ] - Se Deus quiser, sim. Sabemos que isso será muito difícil, pois existem algumas igrejas de difícil acesso onde não há como chegar o ensino de forma fácil, mas creio que com o tempo isso irá melhorar. Os pastores estão entendendo que sem um estudo mais aprofundado não é possível chegar à excelência. Então, isso será uma realidade cada vez mais freqüente nas igrejas.
[ OZIEL ALVES] - Nos cursos das escolas seculares, o objetivo dos alunos normalmente gira em torno de um melhor posicionamento no mercado de trabalho. Numa escola de treinamento ministerial qual deve ser o objetivo?
[ CEZAR NUNES ] - O principal objetivo deve ser a transformação interna. O conhecimento do ministério que Deus colocou dentro de cada um deles deve ser uma busca incessante. Isso é motivado somente pelo amor à Deus, não por qualquer ganho salarial. O trabalho é algo bíblico e seria bom que todos os alunos pudessem trabalhar após o termino do curso, se possível em tempo integral no mistério, porém não havendo esta possibilidade, o voluntariado é a melhor maneira de abençoar e ser abençoado.
[ OZIEL ALVES ] - É possível ser excelente sem ser profissional?
[ CEZAR NUNES ] - Não. Para entender melhor podemos fazer algumas perguntas. Você escutaria a pregação de um pastor que nunca estudou a bíblia e que diz "eu sei o que a Bíblia diz, não estudei, mas é pra Deus". Creio que não. Da mesma forma, todos conhecem a máxima “Eu não sei cantar, nem ensaiei, mas é pra Deus”. Não vejo diferença entre a pregação, o louvor e nenhum outro ministério da igreja. Quem se dispõe a fazer alguma coisa para Deus, deve buscar o aperfeiçoamento e dedicar o seu melhor.
1 comentários:
Bom Dia! Gostaria de ter mais informações sobre o intituto, você teria o telefone do instituto ou do Cesar Nunes para mim entrar em comtato?
Obrigado!
Bartolomeu Prestes
Bartoprestes@hotmail.com
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