02 Outubro, 2008

Editorial do Rio Grande Gospel, Set 2008


Isso pode. Isso, não pode!

Crente "pode" ou "não pode" ouvir música secular? É pecado ir ao cinema ver um filme de Almodóvar ou quem sabe ao teatro, assistir a uma apresentação do Grupo Corpo ou da peça x, y, z? E um show de bossa nova, rock, mpb, tango, etc no Parque da Redenção é ofensivo à fé? Ler Paulo Coelho tem perdão? Sempre que ouço perguntas como estas me dá vontade de pular da ponte. Uma bem baixinha, é claro - também não dá pra valorizar tanto. Continuamos as perguntas [...] e músico cristão [pausa para respiração] pode produzir música secular? Bummmp! Daí, caiu a casa. Acabou a brincadeira. É claro que não! dirá a maioria dos evangélicos.

Mas, por que? Por que não se questiona se o médico evangélico só deve operar convertidos, ou se a faxineira só deve trabalhar na casa de irmãos, ou ainda se jornalistas cristãos só devem desempenhar seus ofícios na mídia gospel, negando qualquer oportunidade que lhe seja concedida na mídia secular? Por que o publicitário cristão pode utilizar sua criatividade para fazer peças publicitárias a fim de vender produtos seculares e o escritor cristão é criticado ao produzir um romance ou uma ficção não religiosa? Por que o músico cristão só pode fazer canções que falem em Deus, contendo os 4 elementos básicos "água, fogo, terra e ar", com suas variações secundárias como chuva, enchente, incêndios, brisa, e que sejam tocadas em eventos religiosos? Aliás, porque estou colocando a palavra "cristão" após a profissão do indivíduo?

É uma pena que por várias décadas, senão séculos, a igreja se perdeu numa série de discussões incoerentes sobre a relação cristianismo e as artes. Cinema, teatro, música e moda ganharam, indevidamente o selo do pecado. Denegriu-se o belo. O tempo passou e infelizmente, ainda hoje, pseudo-líderes teimam em incutir nas mentes anestesiadas de jovens e nem tão jovens cristãos, que arte fora dos templos é imunda, logo pecaminosa. Uma falácia e tanto.

Convenhamos, a vida do cristão tem de ser encarada de forma integral, onde todas as áreas estejam sob a soberania e influência do Senhor, como afirma o jornalista e escritor Steve Turner na matéria de capa desta edição. Pensar em uma vida espiritual e uma vida carnal como duas coisas a parte é o empurrãozinho que muitos pseudo-líderes precisam para manter suas ovelhas em seus currais, “protegidos” de tudo, inclusive do bom e velho “vício” de pensar. Uma mentalidade de gueto, que em muitos casos, tem transformado a dita arte “feita por cristãos” em coisas medíocres e irrelevantes.

Diz a Palavra que a Igreja Primitiva tinha a simpatia do povo e, assim “o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos” (Atos 2.47 – NVI). Será que hoje a Igreja tem a simpatia dos seus vizinhos? Da comunidade ao seu redor? Conheço algumas que tem se tornado extremamente relevantes na sociedade. Ouso citar aqui, a Igreja Brasa de Porto Alegre que tem desempenhado um trabalho social de referência para nossa sociedade. Serviço este, digno de aplausos. Infelizmente, ainda são poucas as que conseguem se envolver com o próximo. Pior ainda se pensarmos no envolvimento artístico.

Hans Rookmaaker, teólogo holandês afirmou que “se Deus nos deu talento, podemos – ou melhor, devemos usá-los criativamente”. Afirmou ainda que “ser filho de Deus é receber liberdade. (...) Sem liberdade não há criatividade, sem liberdade não há originalidade, sem liberdade não há arte, sem liberdade não há cristianismo”.

Vivemos em uma época em que, em nome do Espírito Santo, toda sorte de extravagância tem sido permitida na igreja. Quem sabe não é hora de sermos extravagantes e deixarmos que a nossa arte faça a diferença fora dos templos? É preciso refletir sobre. Como disse Randall Wallace, roteirista de Hollywood e escritor de “Coração Valente” e “O homem da mascara de ferro” formado - “Coração Valente é um verdadeiro sermão que eu poderia pregar em qualquer púlpito, entretanto, um número maior de pessoas compreenderia a mensagem se ela estivesse na forma de um filme”.

Ah... Quanto ao Paulo Coelho, eu realmente não sei a resposta. Será perdoável? Vale uma enquete!

Boa Leitura.

Oziel Alves

2 comentários:

celebraii disse...

Oziel,

Paz e Graça querido!

Quanto a ultima questão: Paulo Coelho é tão ruim, mas tão ruim, que le-lo torna-se um pecado contra o Espírito Santo, um auto-suicidio!

Forte Abraço, meu caro!

Anônimo disse...

Ah sim... posso fazer tudo, até posar nu, afinal, é uma arte!!!
Posso fazer um filme evangélico e um filme adulto...Afinal, ambos são uma arte.
Convenhamos neh...servir a dois senhores ñ é pra mim!
Abraço...